Juros reais ainda são altos na comparação internacional, diz Mantega

Ministro da Fazenda disse que taxa real é 'é baixa em relação ao Brasil, mas alta em relação a outros países'

Marina Guimarães, enviada especial da Agência Estado,

20 de dezembro de 2011 | 11h20

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem (19) à noite, em Montevidéu, onde participa da Cúpula do Mercosul, que a taxa de juro real no País "é baixa em relação ao Brasil, mas alta em relação a outros países". Segundo ele, "temos espaço para iniciativas". Mantega descartou qualquer risco de recessão. "Não há risco de recessão no Brasil. Nunca ouvi falar que crescimento de 3%, 3,5% fosse recessão", disse ele à imprensa, logo após reunião com outros ministros da Fazenda do Mercosul. "O que houve foi uma desaceleração, mas já estamos em trajetória de crescimento."

Mantega também confirmou que "está sendo discutida uma lista com cem novos itens a serem taxados com a tarifa máxima da TEC (Tarifa Externa Comum), de 35%", como forma de proteção para a indústria regional contra uma invasão de produtos de países de fora do Mercosul. Segundo ele, a elevação da TEC para bens de capitais e produtos químicos, que têm sido prejudicados pela inundação de importações, dificultaria a entrada de produtos nesses setores. "A Argentina pede uma lista de mais 200, além dos 100 existentes, e nós queremos mais 100. Estamos negociando", disse.

Mas o martelo será batido pelos presidentes dos países do bloco, que se reúnem hoje na sede da Secretaria Executiva do Mercosul, na capital uruguaia. Uma das dificuldades para chegar a um acordo é a exigência do Uruguai para que a Argentina dê garantias de livre trânsito para suas mercadorias na fronteira. O governo de José "Pepe" Mujica está usando a necessidade argentina de elevar a TEC para negociar redução de barreiras da Argentina para as importações.

A presidente Dilma Rousseff tinha chegada prevista a Montevidéu às 11h30. Ela se encontrará com seus colegas da Argentina, Cristina Kirchner, do Paraguai, Fernando Lugo, e o anfitrião uruguaio, José Mujica. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também é esperado, segundo o chanceler uruguaio, Luis Almagro.

Preocupação

Uma das grandes preocupações dos sócios do Mercosul é que a China redirecione para a região as mercadorias que não conseguirá vender nos mercados europeu e o norte-americano. De acordo com Mantega, os ministros fizeram no encontro de ontem "uma avaliação da crise internacional e sua repercussão nos países latino-americanos e, por enquanto, não viram repercussões maiores porque no Mercosul os países em sua maioria são exportadores de commodities e as commodities até agora estão indo bem".

Porém, Mantega reconheceu que existe temor de que a crise continue se agravando, o que poderia provocar um impacto grave no crédito para os países da região. "Haverá dificuldades maiores dos países avançados e o que preocupa é que a tendência pode afetar o crédito", disse. Nesse sentido, Mantega e seus colegas discutiram mecanismos de "retaguarda financeira" para o caso de a crise internacional se aprofundar, como reforçar o sistema do Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR) e acelerar o processo de criação do Banco do Sul. O Brasil foi o único país que ainda não aprovou a criação da instituição. Também se discute o mecanismo de swap de moedas entre os países, como o usado pelos países da Ásia. 

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