Justiça decreta falência de usinas do grupo João Lyra

O Tribunal de Justiça de Alagoas decretou nesta sexta-feira a falência do grupo sucroalcooleiro da Laginha Agro Industrial, empresa do grupo sucroalcooleiro João Lyra, que possui cinco usinas. Desde novembro de 2008, a Laginha encontra-se em recuperação judicial e acumula uma dívida de cerca de R$ 1,2 bilhão.

EDUARDO MAGOSSI, Agencia Estado

28 de setembro de 2012 | 14h09

O presidente do grupo, João José Pereira de Lyra, afirma que a decisão do Tribunal ainda é passível de recurso e, apesar de ter sido anunciada na quinta-feira durante reunião da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Alagoas, ainda não foi publicada.

Segundo o advogado representante de João Lyra, Francisco Malaquias, a decretação da falência do grupo João Lyra não foi unânime, tendo havido discordância entre os desembargadores. "Todas as usinas estão em funcionamento e a folha de pagamento da empresa está dia. A empresa vai recorrer da decisão", disse ele, que considera a decisão política, já que João Lyra também é deputado federal pelo PTB.

Malaquias informa que os ativos da empresa são estimados em R$ 2,5 bilhões e as exigências da recuperação judicial estão sendo cumpridas.

Das cinco usinas do grupo, duas estão localizadas em Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, nas cidades de Canápolis (unidade Triálcool) e Capinópolis (unidade Vale do Parnaíba), tendo processado em média na atual safra cerca de 14 mil toneladas por dia. As demais unidades são em Alagoas (unidades Uruba, Guaxuma e Laginha) e devem começar a moer a safra 2012/13 a partir de 10 de outubro. "Todas nossas usinas estão em funcionamento e temos capacidade de gerar fluxo de caixa", disse Malaquias.

O executivo também disse que, apesar da decisão do tribunal, as usinas vão se manter em funcionamento e os compromissos assumidos continuarão a ser honrados. Outras empresas do grupo, como Mapel, Sapel, JL Agroquímica e Lug Táxi Aéreo, não foram atingidas pela decisão do tribunal. As cinco usinas geram cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos, a maioria em Minas Gerais.

Segundo o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas (Asplana), Lourenço Lopes, o grupo João Lyra tem honrado os pagamentos de sua dívida com os fornecedores de cana e fez um acordo com a associação de que irá pagar a matéria-prima nova que será entregue agora para ser moída a partir de outubro até o final do ano. "A usina vai funcionar normalmente e processar a cana e depois nos pagar juntamente com mais uma parcela da dívida antiga", informa.

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