Lá fora, kit Brasil e pão de queijo são apelo para Copa

Lá fora, kit Brasil e pão de queijo são apelo para Copa

Uma das maiores varejistas da Europa, a rede Tesco registrou aumento na venda da iguaria mineira, de feijão e suco de maracujá

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de São Paulo

23 de maio de 2014 | 07h58

LONDRES - A menos de um mês da Copa do Mundo, o mundial de futebol já começa a fazer alguns campeões. Pão de queijo, feijão carioca e suco de maracujá são alguns dos produtos cuja venda disparou na maior rede de supermercados do Reino Unido, o Tesco. Só a mistura para fazer pão de queijo vende 250% mais que há alguns meses.

De olho na visibilidade gerada pela Copa, companhias correm para lançar produtos relacionados de alguma forma ao Brasil. Empresas dizem que os consumidores europeus estão "curiosos" com o País.

Aos poucos, o comércio europeu começa a exibir sinais de que a Copa do Mundo está cada vez mais perto. Vitrines que remetem ao futebol, o verde e amarelo e bandeiras do Brasil surgem em lojas e shoppings. "Há curiosidade crescente dos consumidores a respeito das comidas e bebidas do Brasil e, desde o início do ano, a demanda por esses itens tem crescido rapidamente", diz o chefe do setor de alimentos internacionais do Tesco, Bogdan Baldovin.

O executivo parece contente com tanto interesse. Desde o começo do ano, a venda de produtos relacionados ao Brasil cresceu em média 40% na maior varejista do Reino Unido. Líder na tabela, a mistura para fazer pão de queijo aparece como campeão absoluto no período pré-Copa: as vendas dispararam 250%. Em seguida, aparecem o feijão carioca, com alta de 140%, e o suco de maracujá, cujas vendas aumentaram 100%. Também cresceram mais que a média a batata palha, o guaraná e a cerveja brasileira.

Importação. "A cultura gastronômica do Brasil nunca foi muito difundida. Mas estamos em evidência, há muito interesse e demanda crescente. Nossa intenção é que isso não fique apenas na experimentação", diz Gabriel Gaya, diretor da importadora de produtos brasileiros Gaya Foods. Nos arredores de Londres, o empresário de Ribeirão Preto revende para comerciantes e restaurantes de vários países europeus uma série de itens comprados no Brasil.

O Tesco tem aproveitado o interesse para ampliar o espaço dos produtos brasileiros. A empresa começou a vender esses itens há três anos em 30 filiais, especialmente em bairros com imigrantes sul-americanos. Com a proximidade da Copa, o número de lojas abastecidas quase triplicou e hoje são 80 endereços na região metropolitana de Londres inclusive em bairros sem presença brasileira.

Kit Brasil. Outra empresa tradicional na Inglaterra, a varejista Argos lançou a nova campanha publicitária com o mote "Braziliant". Com vitrines decoradas em verde e amarelo, a empresa tenta vender aos torcedores televisores de alta definição e artigos para churrasco para o mundial que acontecerá em pleno verão europeu. Até sugere um "Kit Brasil" para acompanhar os jogos com televisão, churrasqueira, geladeira para cerveja, guarda-sol e mesa com seis cadeiras.

Fora do comércio, o esforço também é visível. A francesa Danone, por exemplo, lançou uma nova versão da água mineral Volvic com aroma de coco. No rótulo verde e amarelo, a inscrição "Inspirado no Brasil" é devidamente acompanhada por uma imagem de chinelos na praia. A norte-americana Budweiser vende aos ingleses uma edição especial da cerveja em uma reluzente garrafa dourada em homenagem à Copa.

Mesmo quem não tem produtos relacionados ao Brasil nas prateleiras espera tirar proveito. "A Copa no Brasil terá um significado especial porque muitos torcerão pelo Brasil como segunda equipe. Isso gerará oportunidades de venda nos jogos da Inglaterra e também do Brasil. Se o tempo ajudar, vamos ver muitos churrascos pelo país e isso será muito bom para nós’, diz um porta-voz do segundo maior supermercado britânico, o Sainsbury’s.

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