Laboratório Dasa, de ex-dono da Amil, paga R$ 600 milhões por SalomãoZoppi

Inicialmente, os sócios Luís Vitor Salomão e Paulo Sérgio Zoppi queriam vender fatia minoritária e levar a companhia à Bolsa em 2018; no entanto, conversas para repasse do controle do laboratório para a família Bueno ganharam força em dezembro

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2017 | 23h19

A rede de medicina diagnóstica Dasa (Diagnósticos da América), que pertence à família Bueno, ex-dona da Amil (agora controlada pela americana United Health), anunciou a compra do laboratório de exames paulista SalomãoZoppi Diagnósticos (SZD), fundado pelos médicos Luís Vitor Salomão e Paulo Sérgio Zoppi nos anos 1980. O valor do negócio é avaliado em R$ 600 milhões.

“Os planos eram atrair um investidor financeiro para levar a companhia à Bolsa em 2018”, afirmou uma fonte a par do assunto. Mas não foram só os fundos que começaram a assediar o SDZ. Além da Dasa, outros concorrentes, como Fleury e Hermes Pardini, também triam avaliado o ativo.

Concentrado em São Paulo, o SZD tem atualmente 11 unidades laboratoriais na capital paulista e Grande São Paulo e era considerado um dos ativos mais atraentes por ser referência na classe médica pela sua qualidade, uma vez que faz dupla checagem de exames. “A aquisição desse ativo é importante para a Dasa, pois o SalomãoZoppi é referência em exames femininos”, disse outra fonte familiarizada com o negócio.

Herdeiro. As negociações para a compra do ativo foram conduzidas diretamente por Pedro Godoy Bueno, filho do empresário bilionário Edson Bueno, que vendeu a Amil para a United Health, por R$ 10 bilhões, em 2012. Egresso do mercado financeiro, Pedro trabalhou no Credit Suisse e no BTG Pactual antes de assumir a presidência da Dasa, aos 24 anos, em 2015.

Maior laboratório de diagnóstico do País, com faturamento de R$ 3,175 bilhões em 2015, a Dasa está presente em 13 Estados do País e no Distrito Federal, com mais de 500 unidades. Com cerca de 30 bandeiras, entre elas a Delboni e Lavoisier (em São Paulo), Sérgio Franco e CPDI (no Rio de Janeiro), a rede deverá manter a marca SalomãoZoppi, apurou o Estado.

A transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O escritório de advocacia Mattos Filho assessorou o SalomãoZoppi e o Lefosse, a família Bueno.

Desde 2014, a família Bueno tornou-se controlador e maior acionista da Dasa, ao comprar ações da companhia no mercado. A empresa deixou de negociar seus papéis no Novo Mercado da BM&FBovespa em 2015. A expectativa do mercado é que a Dasa feche seu capital.

Consolidação. O mercado de medicina diagnóstica tem sido alvo de consolidação e de forte interesse de capital estrangeiro. Um dos maiores laboratórios do País, o paulista Fleury, teve uma parcela de seu negócio vendida para o fundo americano Advent.

Antes da entrada do fundo, o Fleury e o mineiro Hermes Pardini, que tem o fundo Gávea como um dos principais acionistas, ensaiaram uma fusão, mas a negociação não foi adiante.

No fim do ano passado, o laboratório Alliar, do Pátria Investimentos, foi a única empresa a ir à Bolsa em 2016. Agora será a vez do Hermes Pardini, que deverá abrir o capital no início de fevereiro (leia mais na página B7).

“O setor de saúde como um todo é um dos que mais atraem investidores”, disse uma fonte de mercado. Além dos laboratórios de diagnósticos, são alvos de aquisições operadoras plano de saúde, hospitais e indústrias farmacêuticas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.