Laços da América Latina com China elevam risco doença holandesa

Para o secretário-geral da OCDE, é necessária a criação de uma unidade política que estabeleça uma relação sustentável dos países sulamericanos com o gigante asiático

Álvaro Campos, da Agência Estado,

28 de outubro de 2011 | 14h17

A crescente importância da China como mercado de exportação e importação para os países da América Latina tem prejudicado a integração na região, aumentando a necessidade de uma unidade de política para se obter uma relação sustentável com o gigante asiático, segundo líderes empresarias discutiram nesta sexta-feira, 28, no Paraguai.

A China já é a terceira maior fonte de investimento e comércio na região, atrás dos EUA e Europa, e deve ultrapassar os europeus nos próximos anos, segundo Angel Gurría, secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Mas os investimentos chineses têm se concentrado na extração de matérias-primas e importações de produtos finalizados, diminuindo os incentivos para diversificar as economias da região, baseadas em commodities, e aumentando o risco da doença holandesa, segundo Gurría.

A doença holandesa é caracterizada pelo fortalecimento da moeda de um país durante períodos de forte demanda por commodities, o que diminuiu a competitividade das exportações de produtos manufaturados e aumenta a dependência de matérias-primas.

O ex-ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, que participou do encontro com Gurría, afirmou que a América Latinha precisa fortalecer os laços regionais para poder negociar mais eficientemente com a China e dirigir investimentos para outras indústrias.

Segundo ele, que atualmente é presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o aumento do comércio com os chineses está reduzindo o comércio entre os países latino-americanos. Isso é o oposto do que está acontecendo na Ásia, onde a integração regional está aumentando. "A América Latina, apesar dos laços formais e políticos, não tem laços econômicos que levem a uma efetiva integração", disse.

Amaral comentou também que a China tem políticas econômicas unificadas, nas quais o governo tem um poder muito maior de dizer quem investe e onde investe; enquanto as economias da América Latina são muito mais abertas.

As informações são da Dow Jones.

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