Nacho Doce/Reuters
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LAN e TAM passarão a adotar marca única a partir de 2016

Processo de unificação do nome e identidade na marca LATAM durará três anos; grupo mira mercado de turismo internacional para compensar a demanda doméstica mais fraca na região

Lucas Hirata e Marcelle Gutierrez, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2015 | 10h01

SÃO PAULO - O Grupo Latam Airlines anunciou nesta quinta-feira, 6, a unificação de suas marcas LAN e TAM em uma única identidade, que será conhecida como Latam. O conselho de administração do grupo LATAM Airlines afirmou que adotará um nome e identidade únicos para todas as companhias aéreas do grupo, que abrange a LAN Airlines e suas filiais no Peru, Argentina, Colômbia e Equador; a TAM Linhas Aéreas, a TAM Transportes Aéreos Del Mercosur (TAM Airlines (Paraguai), e as companhias aéreas de carga do Grupo LATAM, integradas por LAN CARGO, LAN CARGO Colômbia, ABSA (TAM Cargo) e Mas Air.

O processo de mudança da identidade corporativa levará três anos, segundo fato relevante da empresa, enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e começará em espaços físicos, aeronaves, escritórios comerciais, páginas da web, uniformes, entre outros, a partir do primeiro semestre de 2016.

A decisão de criar uma marca global e unificada em vez de suas marcas domésticas fortes ressalta o crescente foco da indústria em turismo internacional para compensar a demanda doméstica mais fraca na região. A TAM, divisão brasileira da Latam, anunciou no mês passado que reduzirá a capacidade doméstica em 8% a 10%, e a companhia aérea rival Gol afirmou que diminuirá as frequências em 1,6% na segunda metade do ano. 

Os custos de transição para a unificação das marcas devem chegar a entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões nos próximos três anos, excluindo os valores com comunicação e marketing, de acordo com o vice-presidente senior de marketing do Grupo Latam, Jerome Cadier. O executivo disse que o principal elemento é a pintura dos aviões e, em seguida, os uniformes dos funcionários, que juntos devem compor cerca de 90% dos custos.

A pintura é o processo mais longo e mais caro, por isso, a empresa utilizará os períodos de manutenção padrão para renovar as aeronaves que já possui. Já os novos aviões devem chegar com a marca Latam. "Alargar o processo em três anos foi a opção mais economicamente viável", afirmou Cadier, hoje em evento de anúncio da unificação de marcas do grupo.

A unificação das marcas das companhias aéreas do Grupo Latam pode aumentar o valor das sinergias projetadas anteriormente com a fusão da LAN e da TAM, afirmou o executivo. Embora não tenha revelado valores específicos, o executivo disse que o ganho deve vir, entre outros fatores, da eficiência em operações de venda, reserva de passagens e campanhas publicitárias.

Em 2012, a TAM e a LAN projetavam que as sinergias combinadas surgidas da fusão poderiam aumentar o resultado operacional anual da Latam ao longo do tempo entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões, antes de depreciação e impostos, sendo que as sinergias seriam capturadas, na sua plenitude, em quatro anos após a conclusão da transação.

Programa de fidelidade. Os programas TAM Fidelidade, Multiplus e Lanpass continuarão a operar de maneira independente com suas respectivas marcas, por conta das particularidades dos mercados respectivos, afirmou Cadier. O executivo frisou que o plano é manter os planos separados.

Sobre a unificação das marcas das companhias, Cadier defende que tornará as operações mais ágeis do que se seguissem independentes. Optar por uma marca única em vez de uma delas demonstra o entendimento da força de cada nome em seus mercados, afirmou ele. 

A gestão de frotas de aviões no Grupo Latam é mais direcionada pela questão geográfica do que uma padronização para a companhia como um todo, afirmou a presidente da TAM, Claudia Sender. De acordo com a executiva, o Brasil vai se concentrar nos modelos Airbus 350, enquanto os Boeing 787 devem ser mais usados para países de língua espanhola. Já os Boeing 767 serão aeronaves utilizadas para ambos os tipos de mercado e serão intercambiáveis entre geografias. Claudia Sender também falou que a unificação das marcas não altera as encomendas de aviões pela TAM. De acordo com ela, esse processo deve ajudar a companhia agilizar processos e operações.  

Crise. O enfraquecimento das economias da América Latina afeta o setor aéreo como um todo, inclusive o Grupo Latam, no entanto, a companhia diz-se mais preparada que seus concorrentes para enfrentar as adversidades, segundo o presidente executivo do Grupo Latam, Enrique Cueto.

Para tanto, o executivo ressaltou a diversidade das operações e os diferentes países com que trabalha. "Vamos seguir crescendo e com o plano de investir muito", afirmou há pouco, em  evento de anúncio de unificação da marca Latam para todo o grupo. De acordo com Cueto, o processo de unificação não foi fácil, mas "estamos seguros de que estamos construindo o futuro".

O presidente do conselho de administração, Mauricio Amaro, ressaltou que foram dois anos de discussão para chegar a esse anúncio, ao destacar que são empresas de "bandeira forte que invocam sentimentos fortes". Mas era necessário, acrescentou, ao comparar o anúncio à criação de um filho. "O filho criamos para ser melhor que nós. Criamos esse filho para o mundo", afirmou. (Com Reuters)

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