EFE/Antonio Lacerda
EFE/Antonio Lacerda

Presidente da Petrobrás defende fim da presença obrigatória da estatal no pré-sal

Segundo o novo presidente, com a atual legislação, petroleira perde a liberdade de escolher apenas os blocos considerados estratégicos e economicamente viáveis

Antonio Pita e Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2016 | 11h58

RIO - Pedro Parente, que assume hoje a presidência da Petrobrás, defendeu, na cerimônia de posse, mudanças na legislação do pré-sal, que hoje determina que ao menos 30% da participação e dos investimentos em áreas do pré-sal devem ser garantidos à estatal. Segundo ele, essa determinação é prejudicial à petroleira, que perde a liberdade de escolher apenas os blocos considerados estratégicos e economicamente viáveis, "o que seria imperdoável para empresa listada em bolsa", em sua opinião.

"A lei (do pré-sal) não atende aos interesses da empresa ou do País. Com a corrente situação financeira (da Petrobrás), se (a lei) não for revista, vai retardar a exploração do pré-sal", afirmou o executivo, ressaltando que o pré-sal atingiu 40% da produção nacional da empresa. "Não podemos esperar mais e precisamos levar pré-sal ao máximo", afirmou.

Em seu discruso, Parente garantiu que vai manter nos cargos a atual diretoria executiva, que assumiu o cargo em fevereiro de 2015. Segundo ele, os executivos têm feito um trabalho "importantíssimo" no período. "A diretoria está absolutamente confirmada. Vamos trabalhar em conjunto. A diretoria já vem fazendo trabalho importantíssimo desde fevereiro do ano passado. Estamos todos muito empenhados e alinhados com a mensagem que passei em meu discurso, foi uma obra conjunta", indicou Parente.

Segundo ele, a empresa precisa recuperar sua imagem e finanças, o que será a prioridade da sua administração. Parente foi enfático em seu discurso contra várias medidas do governo da presidente da República afastada, Dilma Rousseff. Ele ressaltou a necessidade de a Petrobrás ter outro posicionamento na política de conteúdo local, que garante a aquisição de um volume mínimo de bens e serviços no Brasil. Segundo Parente, o conteúdo local precisa de incentivo à inovação.

Eles e manifestou também contrário à capitalização pela União, o que, em sua opinião, seria uma solução com ônus ao contribuinte e ao Tesouro, que hoje passa por limitações fiscais. "Vamos buscar encontrar saída que não seja a injeção direta de recursos do Tesouro na Petrobrás", disse. Durante a posse, Parente afirmou que a empresa vai investir US$ 20 bilhões neste ano.

Recuperação. Parente também disse que a recuperação financeira e a adoção de custos competitivos são prioridades de sua gestão. Segundo o executivo, além da corrupção, as finanças da empresa foram comprometidas por investimentos irrealistas em custo, prazo e premissas. "Muitos apostaram que a Petrobras quebraria e aprofundaria a recessão do País. Mas foram feitos duros cortes, sem os quais a companhia não teria caixa hoje", disse Parente, parabenizando a gestão do seu antecessor, Aldemir Bendine, que, em sua opinião, administrou a empresa sem interferências partidárias.

Ele citou o grande gasto com projetos da área de abastecimento, como refinarias, que não apresentaram o retorno esperado, o que fez com que a dívida "explodisse". Segundo Parente, os recursos da megacapitalização foram gastos neste projeto e menos de um terço com o pré-sal. "Por essa explosão, a empresa paga taxas de juros acima dos seus concorrentes. Seus ratings são muito piores", afirmou.

Ele criticou também incertezas regulatórias e aumento da carga tributária, promovidos por Estados, como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro. Em sua opinião, esses fatores "tornam investimentos inviáveis". "A empresa não pode se confundir com as políticas do Estado brasileiro. Seus pilares são a governança, os investimentos com geração de retorno e o monitoramento de riscos", disse.

Segundo o novo presidente da Petrobras, a política de preços de derivados "terá relação clara e inconteste com a geração de retorno", afirmou. Ele disse também que, em 60 dias, a revisão estratégica da companhia será concluída. "Vamos fazer roadshows para avaliar a diretriz estratégica. A busca de resultados adequados entre dívida e geração de caixa será a obsessão", complementou.

Gestões anteriores. O novo presidente da Petrobrás elogiou o seu antecessor, Aldemir Bendine, mas criticou a gestão dos demais presidentes da empresa durante os governos de Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva. Sem citar os nomes de José Sérgio Gabrielle e de Graça Foster, disse que, no passado, a empresa passou por uma fase de "euforia e triunfalismo", que, segundo ele, "não servem mais para esconder o descalabro que ocorreu na companhia".

A Petrobrás foi "vítima de uma quadrilha", disse Parente, referindo-se ao esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. "Mas essa condição de vítima não pode ser encarada como sinônimo de passividade. Continuaremos colaborando de maneira incansável com a Operação Lava Jato", disse. 

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