Leilão contrata mais energia que a demanda prevista

O quarto leilão de energia novarealizado nesta quinta-feira contratou 101,8 por cento dademanda prevista pelas distribuidoras, informou a Aneel(Agência Nacional de Energia Elétrica). A demanda no leilão era de 1.281 megawatts médios, masforam contratados 1.304 MW médios --equivalentes a 171,47milhões de MWh. Toda a quantidade foi ofertada por 12 térmicasa óleo. Não houve interesse de térmicas a gás, biomassa e dehidrelétricas. A contratação de mais energia ocorreu porque a última usinaa vender no leilão, a de Borborema, teve a sua ofertaintegralmente comprada, apesar de a demanda total ter sidoatingida com apenas uma parte da oferta desse empreendimento. Como se trata de uma usina nova, as regras do leilãoprevêem que, assim, ela tenha toda a sua oferta adquirida,informou o presidente da Câmara de Comercialização de EnergiaElétrica (CCEE), Antônio Carlos Fraga Machado. "Por isso que passou um pouco da quantidade demandada, queera de 1.281 (MW médios)", disse o dirigente do órgão querealiza o leilão. O leilão negociou energia proveniente de termelétricas pelovalor médio de 134,67 reais por megawatt/hora (MWh), ante valorde 137,44 reais para esse tipo de geração registrado no leilãodo ano passado. O valor transacionado na operação destaquinta-feira foi de 23,09 bilhões de reais. "O leilão foi um sucesso absoluto, atendeu mais do que 100por cento da demanda, fiquei surpreso com a redução de preço,que foi acentuada. Achei que ficaria perto dos 140 (reais porMWh, teto estabelecido pelo governo)", disse o presidente daEmpresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. "No leilão prevaleceu a competição...Mostra que podemos tertérmicas a óleo muito competitivas no Brasil, que é um preçoque outras fontes de energia não estão dando. Essa baixa dospreços das térmicas a óleo vai forçar que outras térmicasbaixem os seus preços, caso contrário elas ficarão fora daoferta", declarou o presidente da EPE. Para ele, o resultado "demascarou" o argumento daqueles quequeriam que o governo elevasse o preço de energia térmica. O analista da Àgora Corretora Alexandre Hulm tambémconsiderou o leilão positivo para o setor. "Mostra que atendência de preço futuro da energia é de alta, o que vaiviabilizar a construção dos empreendimentos, é bem positivo",afirmou após o leilão. Segundo ele, o preço médio da energia gira em torno dos 80 reais o megawatt/hora. O presidente da EPE destacou ainda que as atuais térmicas aóleo são muito mais eficientes e menos poluentes do que asutilizadas durante o período do apagão energético. "Naquelaépoca, veio a sucata do mundo para cá, agora é o que tem detop", disse ele. Mesmo assim, Tolmasquim salientou que a vocação brasileiraé a de ter a matriz baseada em energia hidrelétrica. Mas no caso do leilão desta quinta-feira, no qual a maioriadas empresas é do Nordeste, a energia térmica é uma solução,avaliou, considerando que os nordestinos não "têm maisaproveitamento hidrelétrico." Para ele, além da maior competitividade, as regrasprevistas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e ascondições especiais de financiamento dadas pelo BNDES para astérmicas a óleo estão entre os fatores que estimularam aparticipação dessas empresas no leilão, sem falar da queda dastaxas juros. HIDRELÉTRICAS Tolmasquim afirmou que o modelo do leilão destaquinta-feira (A-3) é tipicamente térmico, e considerou aausência das hidrelétricas previstas, que poderiam ofertarenergia a um menor custo, como algo positivo. Segundo ele, anão participação das hidrelétricas, significará mais energiadisponível para depois de 2010, ao mesmo tempo em que o Brasiljá se garantiu com térmicas. "Ganhamos duas vezes." Ele lembrou que a principal geradora hidrelétrica queparticiparia, a de Serra do Facão, só ficará pronta no segundosemestre de 2010, e que, provavelmente, por isso, osempresários decidiram não participar do leilão A-3 --oscontratos de suprimento têm início em janeiro de 2010. Este foi o caso também da Suez Energy Brasil, que iriaparticipar com a fatia que possui no projeto de Estreito, noMaranhão, mas preferiu aguarda o próximo leilão, de venda deenergia a partir de 2012 (A-5), segundo o assessor da empresa. Segundo Tolmasquim, com a contratação dos 1.304 MW, oBrasil passou a ter um nível de energia contratada bem superiorao que seria necessário para se ter segurança energética apartir de 2010. A realização do leilão atendeu os cerca de 3por cento de energia que faltava ser contratada para a demandado país daqui a dois anos e meio. Os contratos são de 15 anos. Produtoras de energia térmica a partir de gás nãoparticiparam do leilão, como haviam indicado. Na quarta-feira,elas criticaram o teto do preço para energia térmica.Consideram que o custo de produção vai ficar maior devido àesperada substituição do gás natural boliviano pelo GNL (GásNatural Liquefeito) e que o teto não remuneraria adequadamente. Segundo Tolmasquim, o governo está trabalhando para adaptaras regras do setor ao GNL. "Tenho esperança que cheguemos a umacordo que viabilize a entrada das térmicas (à GNL)." (Colaborou Denise Luna, no Rio de Janeiro) (Edição de Marcelo Teixeira e Denise Luna; ReutersMessaging: marcelo.teixeira.reuters.com@reuters.net, 5511 56447707))

ROBERTO SAMORA, REUTERS

26 de julho de 2007 | 16h08

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