Leilão da Cesp fracassa e Serra culpa crise financeira

O leilão de privatização da companhiade energia elétrica paulista Cesp, negócio que poderia alcançarvalor superior a 20 bilhões de reais, foi cancelado nestaterça-feira devido à ausência de interessados. O governador paulista, José Serra (PSDB), disse acreditarque o fracasso se deveu à dificuldade na obtenção de créditopelas empresas pré-qualificadas para o leilão. Segundo ele,essas empresas relataram que tiveram dificuldade em conseguirfinanciamento no mercado para apresentar lances. Ele também afirmou que os participantes consideraram opreço elevado e que havia dúvidas em torno da renovação dasconcessões de usinas da companhia pelo governo federal. A CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia)informou que nenhuma das cinco empresas pré-identificadas parao leilão depositou as garantias exigidas dentro do prazoespecificado, que terminou ao meio-dia desta terça-feira. As empresas pré-qualificadas eram: CPFL Energia ;Neoenergia, que tem a espanhola Iberdrola como sócia ; Energiasdo Brasil, ligada à portuguesa EDP ; Tractebel Energia, que fazparte da francesa Suez Energy International ; e a AlcoaAlumínio. "Várias instituições financeiras internacionais importantesme disseram que estavam tendo dificuldades para mobilizargrandes massas de recursos neste momento. Não é porque o Brasilnão seja um bom negócio, mas é porque a crise nos EUA e naEuropa implica em repatriar capital para aguentar prejuízos eisso tira recursos de financiamento", relatou Serra ajornalistas no Palácio dos Bandeirantes, sede do governopaulista. Na avaliação do governador, a crise financeira atual é umadas piores das últimas décadas. Serra, que não informou se haverá novo leilão da Cesp,afirmou que o governo paulista não cedeu aos apelos pararedução do valor mínimo estipulado inicialmente para a venda dafatia de controle, de aproximadamente 6,6 bilhões de reais. Ele lembrou que o valor total se aproxima de 20 bilhões dereais, considerando a oferta que deveria ser feita aminoritários mais as dívidas da companhia. "O pessoal queria um valor menor, mas nós não vendemos nabacia das almas", afirmou. "São Paulo não cedeu e valorizou opatrimônio." CONCESSÕES Quanto à renovação das concessões de usinas pelo governofederal, uma incógnita que também afugentou os compradores,Serra disse que a Cesp representa um sétimo do volume total queserá necessário renovar em 2015, de 21 mil megawatts. Ele explicou que a lei não permite a renovação automática eseria necessário mudar a legislação, o que tomaria tempo. "É impensável que de repente não se vai renovar nada, maslegalmente pareceu um pouco cedo para eles tomarem essasmedidas, porque é uma coisa que tem de ser bem pensada",declarou. Para compensar a venda frustrada da Cesp, segundo Serra, ogoverno paulista pensa em negociar ações de outras empresasestatais, mas sem a perda de controle do Estado. Ele afirmouainda que o Estado de São Paulo também dispõe de margens paraobter financiamento. "De maneira que eu acho que a gente contorna esta questão",acredita o governador. Os recursos que o Estado obteria com a venda da Cesp seriamaplicados na melhoria do transporte --em estradas, metrô etrens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). As ações da Cesp despecavam 19 por cento por volta das15h50, cotadas a 25,9 reais, enquanto o Ibovespa registravaalta de 2,6 por cento. Na segunda-feira, as ações da Cesp já haviam sofrido fortesquedas, com o mercado antevendo dificuldades para que qualquerconsórcio participasse do leilão depois que o ministro de Minase Energia, Edison Lobão, enviou carta a Serra na qual não davacerteza sobre a renovação das concessões de duas das principaisusinas da Cesp, Ilha Solteira e Jupiá.

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