NELSON ANTOINE/FOTOARENA
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Leilão de fatia da OAS na Invepar fracassa

Participação de 24,4% na dona do aeroporto de Guarulhos poderá ser repassada a fundos ou a credores do grupo, que está em recuperação judicial

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 08h40

O leilão para a venda da participação do grupo OAS no capital da Invepar – dona do Aeroporto de Guarulhos – terminou ontem sem interessados. O resultado já era esperado pelo mercado desde que a gestora de recursos canadense Brookfield retirou, no início de fevereiro, sua proposta de compra pela fatia de 24,4% detida pela OAS na empresa.

Com o fracasso do leilão, o plano de recuperação judicial da OAS prevê outros dois caminhos para o ativo – ou ele será adquirido pelos controladores da Invepar (os fundos Previ, Petros e Funcef) ou irá para as mãos dos credores da OAS.

Os fundos de pensão terão até 30 dias para exercer seu direito de preferência. O prazo valerá a partir da notificação do anúncio do resultado do leilão de ontem. A operação ainda dependerá de decisão final do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Há 19 recursos apresentados por credores contra a homologação do plano de recuperação judicial da empreiteira, aguardando o julgamento no tribunal. A OAS pode entrar com um “embargo de declaração” – o que, na prática, seria recorrer do recurso contra o plano.

O preço mínimo de venda do ativo estabelecido pelas regras do leilão era de R$ 1,35 bilhão, o mesmo valor que a Brookfield havia concordado em pagar.

O principal motivo para a gestora canadense desistir do negócio não foi o preço, disseram ao Estado fontes próximas à operação à época. A empresa solicitou que os fundos de pensão revisassem o acordo de acionistas da Invepar, o que não foi aprovado pelas instituições.

A Brookfield estaria desconfortável por fazer um aporte bilionário em uma companhia e se tornar um acionista minoritário em uma empresa controlada por fundos de pensão.

A situação também gerou desconforto entre outros grupos que chegaram a avaliar a compra do ativo, mas não levaram o processo adiante – a empresa francesa Vinci, dona de aeroportos na Europa, e a gestora de ativos brasileira GP Investments, aliada à americana Cerberus.

Recuperação. Citado na operação Lava Jato, o grupo OAS apresentou em 31 de março de 2015 um pedido de recuperação judicial de nove de suas empresas à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, solicitação que foi acatada pela Justiça no dia seguinte.

O plano de recuperação da empresa prevê a venda de ativos de áreas como óleo e gás e defesa para concentrar as atividades da companhia no segmento de construção civil. A fatia da OAS na Invepar é o ativo mais valioso à venda.

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