Leilão do Banco Postal será só para grandes instituições, diz Correios

Além de estipular valores de patrimônio que restringem a concorrência a 12 instituições financeiras do País, Correios vetaram também formação de consórcios de bancos menores

Karla Mendes, da Agência Estado,

30 de maio de 2011 | 19h15

Bancos de pequeno porte ficarão de fora da licitação bilionária do Banco Postal que ocorrerá amanhã. Além de estipular valores de ativos de patrimônio líquido que restringem a concorrência a 12 instituições financeiras que atuam no País, os Correios vetaram ainda a formação de consórcios de bancos menores para participar do leilão.

"Nossa área técnica considera que não é adequado fazer isso. Por quê? Porque é inviável fazer um consórcio de bancos regionais. Como é que eles vão atender nacionalmente? Nós estamos contratando um banco para nós sermos correspondente dele. Então, se ele não puder atender no Amazonas, não tem sentido", afirmou o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, à Agência Estado.

Pinheiro salientou, porém, que nada impede que os bancos menores depois façam parcerias com os grandes para atender demandas regionais. "O pequeno não pode fazer consórcio com um grande (para concorrer ao leilão). Mas depois ele pode se associar como banco regional para cuidar da área de interesse daquele público regional", disse.

Pelos critérios do edital, só poderão participar da concorrência instituições financeiras que se enquadrem nos seguintes quesitos: ativos de R$ 21,6 bilhões e patrimônio líquido de R$ 2,16 bilhões, no mínimo. Com essas condições, podem participar do leilão Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, HSBC, Votorantim, Safra, BTG Pactual, Banrisul, BNP Paribas e Citibank, conforme levantamento da consultoria Austin Rating. O valor básico de acesso ao negócio para operar o Banco Postal é de R$ 500 milhões.

Parceria

O presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Martins Oliva, reconhece que, para administrar um negócio do tamanho do Banco Postal, tem de ser uma instituição de grande porte. Ele defende, porém, que os bancos menores possam atuar nas agências do Banco Postal, na área de empréstimos, por exemplo, o que aumentaria inclusive a concorrência nesse segmento e contribuiria para a queda de juros, sobretudo em localidades onde a oferta desse tipo de serviço é restrita.

Pinheiro admite que há espaço para a atuação de bancos de menor porte em alguns segmentos e oferta de outros serviços. Ele ressaltou, porém, que esse tipo de parceria ficaria a cargo da instituição que vencer o leilão.

Entre os bancos aptos a concorrer ao negócio, não se sabe ainda quantos participarão do leilão. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que Caixa e Banco do Brasil estão interessados. "Há interesse, pelo que eu sei. É uma operação muito grande", observou. O ministro diz acreditar que o leilão terá uma boa disputa. Um dos principais atrativos é a capilaridade da rede de agências dos Correios, usando o exemplo do próprio Bradesco, instituição responsável atualmente pelo Banco Postal. "O Bradesco fala que está presente em todos os municípios. Não é o Bradesco que está; são os Correios".

A estatal teve um salto na arrecadação proveniente dos serviços de correspondente bancário prestados na rede de agências. As 200 milhões de transações realizadas via Banco Postal renderam aos Correios uma receita de R$ 322 milhões, o que representou um crescimento de 41,7% em relação a 2009, conforme balanço divulgado pela empresa.

E a estatal já deixou claro que quer aumentar ainda mais a rentabilidade do negócio, que superou em 2010 a marca de 10 milhões de contas abertas desde sua inauguração. O edital prevê o pagamento de uma receita anual de R$ 337,3 milhões referente às transações bancárias para os Correios. "Não é receita mínima. É a expectativa que a empresa tem com base no serviço que é prestado, com perspectiva de crescimento", ressaltou Bernardo. No ano passado, a estatal ampliou sua rede de atendimento de 6.046 para 6.192 agências, o que garante cobertura de 95% dos municípios do País.

Ciente do potencial da capilaridade de sua rede, os Correios também usam o novo edital do Banco Postal para estabelecer que novos produtos, como o cartão de crédito e o cartão pré-pago próprios da estatal, não tenham vínculo obrigatório com a instituição financeira que vencer a concorrência para prestar os serviços de correspondente bancário.

Assim, se a estatal tiver autorização do Banco Central para lançar esses cartões próprios ou decidir comercializar nas agências postais seguros, títulos de capitalização ou previdência privada, por exemplo, ela fará uma licitação à parte, em que vencerá a concorrência a instituição que oferecer a proposta que melhor remunere os Correios.

Pinheiro ponderou, contudo, que não há previsão de lançamento do serviços. "A gente está se reservando ao direito de fazer essa ressalva. Porque se formos lançar um cartão de crédito próprio, por exemplo, não queremos ficar amarrados com quem tem parceria no Banco Postal", destacou. "A importância dessa cláusula é proteger a ECT. É dar o direito de, se lançarmos um cartão, não ficarmos presos a um contrato que não tem nada a ver com cartão de crédito".

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