Leite: Cemil começa a produzir longa vida orgânico em Minas Gerais

Belo Horizonte, 23 - A Cooperativa Central Mineira de Laticínios (Cemil), situada em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba, será a primeira indústria de longa vida do país a produzir leite orgânico. O lançamento ocorreu esta semana e o primeiro carregamento de 10 mil litros já está disponível em alguns supermercados da zona sul do Rio de Janeiro. O presidente da cooperativa, João Bosco Ferreira, revela que foram necessários 18 meses de preparação, com o acompanhamento do Instituto Biodinâmica (IBD) para que a empresa obtivesse a certificação. A principal diferença na produção do leite orgânico, em comparação com o leite fluido tradicional, está na alimentação dos animais. As pastagens e a suplementação alimentar (milho, soja e farelo) não podem conter adubos químicos. Da mesma forma, a imunização segue a prescrição da homeopatia. Até o momento, segundo Ferreira, existem apenas 10 produtores de Uberaba, no Triângulo Mineiro, cadastrados e também com certificação na produção orgânica. A expectativa é que outros produtores de Patos de Minas se interessem também pela produção e iniciem o processo de certificação. "O processo é lento, porque a certificação leva em torno de 12 meses para ser obtida", diz o presidente da cooperativa. Segundo ele, este é o tempo para que o pecuarista se adapte às normas do IBD e normatize a produção. A capacidade da Cemil neste segmento está situada entre 90 mil litros e 100 mil litros por mês. João Bosco Ferreira afirma que a aposta da empresa atualmente está em nichos de mercado e a oferta de produtos com maior valor agregado. Segundo ele, o leite orgânico chega às gôndolas a um preço de R$ 3,60 o litro, enquanto que o leite longa vida tradicional custa, em média entre R$ 1,50 e R$ 1,60/litro. "O mercado está carente de produtos diferenciados", afirma. A Cemil começou a diversificação no mix de produtos que conta também com leite condensado, sucos à base de soja e aromatizados, achocolatados, entre outros. Atualmente a cooperativa capta 300 mil litros de leite/dia, de 5 mil produtores dos municípios de Dores do Indaiá, Paracatu, Patos de Minas e Patrocínio, região do Alto Paranaíba. O faturamento da cooperativa este ano deve atingir R$ 104 milhões, sobre R$ 92 milhões registrados em 2003. As perspectivas, entretanto, são de que o produto orgânico venha a ter uma participação de 10% na receita da empresa nos próximos 18 meses. A principal meta agora é a obtenção de R$ 25 milhões em recursos para serem investidos em uma nova unidade de produção de leite em pó. Este montante será suficiente para que a cooperativa amplie a capacidade para 700 mil litros/dia. A idéia é destinar a maior parte do produto para a fabricação do leite em pó, com vistas às exportações. A Central já encaminhou um projeto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que possui uma linha de crédito específica para cooperativas de produtores, a chamada Prodecoop. As negociações também envolvem organismos internacionais de fomento. A expectativa é conseguir a liberação de 80% do valor total do projeto. A implantação do empreendimento deve levar 18 meses, após a obtenção dos recursos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.