Leite: CNA estima exportação recorde de até US$ 70 milhões

Brasília, 13 - As exportações de produtos lácteos devem render US$ 70 milhões em 2004, resultado nunca obtido nos embarques de leite e derivados. No acumulado do ano até setembro, as exportações somaram US$ 57,5 milhões e as importações US$ 61,6 milhões, o que resulta em déficit de US$ 4 milhões. Os números foram divulgados há pouco pelo presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim. Nos últimos meses do ano, a tendência é de aumento das exportações. Alvim calculou que o superávit da balança comercial de produtos lácteos não deve ser expressivo no ano, entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão. "O que interessa mais, nesse caso, é o viés e não o resultado em si", afirmou. Ele explicou que as exportações de produtos lácteos têm crescido desde 2001 e as importações vêm caindo desde então. "Ganhamos o mercado externo por acaso em 2001, quando a produção cresceu muito, e desde então o Brasil tem se firmado como importante fornecedor mundial de lácteos", afirmou. Em 2001, a produção formal de leite foi de 13,2 bilhões de litros, crescimento de 9,13% em relação ao ano anterior. Para 2004, a expectativa é de captação formal de 14,15 bilhões de litros de leite. No acumulado do ano, Iraque, Angola, Argélia e Venezuela foram os principais importadores de leite e lácteos do Brasil. Para o Iraque, as vendas são feitas dentro do programa de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU). Países menores como Angola, Senegal e Trinidad e Tobago também estão na lista de importadores de produtos lácteos do Brasil. Ele disse que as indústrias exportadoras têm negociado a abertura do mercado mexicano para o produto brasileiro. O México é o maior importador mundial de produtos lácteos, com gastos anuais de US$ 1 bilhão, principalmente dos Estados Unidos e Nova Zelândia. O Brasil não tem autorização para venda porque o México não reconhece os circuitos pecuários livres de febre aftosa com vacinação do País. Um acordo sanitário tem sido negociado entre os governos dos dois países, mas Alvim comentou que "as conversas vão muito devagar". Em setembro, as exportações de produtos lácteos renderam US$ 8,046 milhões ao País, muito acima dos US$ 3,9 milhões no mesmo mês do ano passado. O superávit comercial em setembro de 2004 foi de US$ 820 mil, contra déficit de US$ 7,5 milhões em igual período de 2003. As importações somaram US$ 7,2256 milhões, contra US$ 11,4 milhões em setembro do ano passado. Na comparação de setembro deste ano com setembro do ano passado, as exportações cresceram 106% e as importações caíram 27,6%. Nesse cenário de crescimento das vendas externas, as indústrias trabalham no limite da capacidade instalada. "A capacidade é suficiente para embarques de US$ 100 milhões. As indústrias têm investido na elevação da produção", disse. Como exemplo de investimento na produção de lácteos, Alvim citou a Itambé, que deve investir no Triângulo Mineiro. A produção diária da empresa deve crescer 1,5 milhão de litros. A região do Triângulo Mineiro responde por cerca de 30% do leite produzido em Minas Gerais, Estado que responde por 9% da produção nacional. O setor leiteiro do Mercosul deve criar um grupo que vai elaborar propostas para alavancar a produção leiteira do bloco.

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