Leite: Itambé decide localização da nova fábrica até setembro

São Paulo, 24 - A Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), dona da marca Itambé) espera concluir até o próximo mês as negociações para a instalação de uma nova unidade industrial, com capacidade para a produção de 40 mil toneladas de leite em pó/ano e que irá exigir um investimento de R$ 120 milhões. A localização da nova fábrica depende do Estado que irá oferecer os melhores incentivos fiscais. No páreo estão Minas Gerais, onde estão quatro das seis fábricas da empresa, e Goiás, que promete acirrar a disputa. Segundo o vice-presidente comercial da Itambé, Jacques Gontijo, a proposta é reunir de 12 a 15 cooperativas de ambos os Estados que ficarão responsáveis pelo fornecimento de 1 milhão de litros de leite/dia, o que seria suficiente para a produção de 40 mil toneladas de leite em pó/ano. A Central já congrega 26 entidades em Minas, com 6,5 mil fornecedores que deverão chegar a uma captação de 820 milhões de litros de leite este ano. Entretanto, é no campo das exportações que a Central tem se destacado. As metas traçadas para 2004, de atingir US$ 30 milhões nas vendas externas, ou 8% do faturamento total, já foram superadas. Ao final do primeiro semestre o total exportado já havia atingido US$ 17 milhões. Com este resultado, a empresa contribuiu para que o setor de lácteos fosse um dos principais destaques nos resultados das exportações mineiras neste período, segundo dados divulgados na semana passada pela Fundação João Pinheiro. Os dados mostram que as vendas externas mais que quadruplicaram e atingiram um incremento de 317,6%. O Iraque foi o principal destino das vendas da empresa e passou a representar o principal mercado para os produtos lácteos de Minas Gerais, com uma fatia de 63,9% das exportações do setor. "O nosso objetivo é que as exportações representem 15% do nosso faturamento em 2005", disse Gontijo. Para conseguir cumprir o este objetivo, entretanto, a Itambé precisa ampliar a produção de leite em pó e iniciar a instalação da nova planta, que levaria em torno de 12 meses para ser concluída. De acordo com ele, o projeto já foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que deverá financiar metade do investimento. A trajetória da Itambé como exportadora foi iniciada em 2003, quando a empresa participou de uma concorrência para o fornecimento de leite em pó para o World Food Program, das Organização das Nações Unidas (ONU). No primeiro contrato, firmado em setembro o volume contratado foi de 1 mil toneladas do produto por mês durante três meses. Em seguida, a Central venceu outras duas concorrências e o volume de leite comprado foi ampliado, primeiro para 2 mil toneladas nas mesmas condições e depois a oferta passou para 4 mil toneladas. Segundo Gontijo, a escolha da Itambé no processo de concorrência foi causada por uma falha dos fornecedores argentinos. "A Argentina não conseguiu cumprir o prazo de fornecimento e nós conseguimos entregar em tempo recorde", revelou. Com isso, Gontijo acredita que a empresa passou a cultivar um bom nome entre os fornecedores da ONU para o programa. Entre os principais compradores dos produtos da central estão países do Oriente Médio (Iraque, Kuwait), África (Nigéria e Angola) e partir deste ano também alguns da América do Sul e Central. Além do leite em pó, a central tem ampliado as vendas de leite condensado nestes países. No mercado interno, apenas em leite condensado, a Central já ocupa o segundo lugar no ranking nacional. (Raquel Massote)

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