Leite: Itambé irá investir R$ 250 milhões em duas novas fábricas

Belo Horizonte, 20 - O suspense envolvendo o local dos novos investimentos da Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR/Itambé) se encerrou. A disputa era travada entre os governos dos Estados de Minas Gerais - onde estão localizadas quatro das cinco plantas industriais da cooperativa -, e Goiás. Hoje o presidente da companhia, José Pereira Campos Filho, informou que serão construídas duas novas unidades, sendo uma em Uberlândia, no Triângulo Mineiro e outra em Goiânia (GO). Segundo ele, ainda que os incentivos fiscais oferecidos pelo governo goiano tenham sido mais vantajosos, a cooperativa confia que o Estado de Minas também vá oferecer vantagens. "Estamos confiantes na palavra do governador e de que o Estado irá aprovar incentivos para esta planta", afirmou. Em Goiânia, a Itambé já possui uma fábrica de leite em pó, com capacidade para o processamento de 500 mil litros/dia. Será instalada uma nova linha, com capacidade para a produção de 450 mil litros/dia de leite condensado, o que demandará aporte de R$ 70 milhões. Já em Uberlândia, será implantada uma nova unidade, que exigirá R$ 180 milhões em investimentos para a fabricação de 1 milhão de litros/dia do produto em pó. De acordo com o presidente da Itambé, do total de recursos necessários para a conclusão das duas plantas, ou o equivalente a R$ 180 milhões, serão financiados pelo BNDES, pelo Banco do Brasil, por meio do Prodecoop e Bancos Privados. As duas novas unidades deverão entrar em operação em 2005. A Itambé possui atualmente uma capacidade para o processamento de 2,850 milhões de litros/dia. Este ano foram aplicados R$ 102 milhões para a ampliação da unidade de Sete Lagoas (MG), a maior planta da Central, que terá uma nova linha de produção para o processamento de 450 mil litros/dia em leite condensado e também em Pará de Minas, para a fabricação de 300 mil litros/dia de longa vida. O aumento da captação de leite da Central será de 52,6% para 4,350 milhões de litros/dia. Para tanto, serão agregadas quatro novas cooperativas às 28 que são filiadas atualmente. A Itambé conseguiu atingir todas as metas estipuladas para este ano. O faturamento da central cresceu 12% passando para R$ 1,12 bilhão, sobre R$ 1 bilhão registrados no ano passado. O lucro líquido triplicou passando de R$ 20,7 milhões em 2003 para R$ 65 milhões este ano. Em função dos resultados, 6 mil cooperados receberão pelo segundo ano consecutivo uma participação sobre os lucros, proporcional à fidelidade do cooperado e ao volume de leite entregue. Deverão ser distribuídos cerca de R$ 35 milhões, sendo que 70% foram pagos hoje e o restante será quitado em março do próximo ano, após a assembléia dos cooperados. O volume de leite industrializado em 2004 subiu 3,1% de 734 milhões para 757 milhões de litros. Para o próximo ano, segundo o presidente da CCPR/Itambé, a expectativa é de um crescimento de 34,2% no faturamento, que deverá chegar a R$ 1,5 milhão. O volume de leite industrializado deverá aumentar 28,1% para 970 milhões de litros e o lucro líquido deverá ser ampliado em 32,3% para R$ 86 milhões. Com estes resultados, a empresa abandonou de vez a idéia de conseguir um sócio estratégico que pudesse participar da composição acionária, com até 49% de participação. "Conseguimos uma reestruturação interna que nos anima a tocar os negócios com vida própria e sem parceria", disse Campos Filho. Ele revelou que após a crise da Parmalat, a cooperativa tentou adquirir duas unidades da multinacional italiana localizadas em Santa Helena de Goiás (GO) e também a de Itaperuna (RJ), mas as negociações não avançaram. Os resultados positivos da Itambé foram impulsionados pela ampliação do volume de exportações este ano, segundo destacou o presidente da empresa, José Pereira Campos Filho. Em 2004 as vendas externas significaram 8% de todo o faturamento da empresa e atingiram US$ 25 milhões. O resultado foi alcançado, de acordo com Campos Filho, pela atuação da Serlac Trading, na qual a central possui 40% de participação acionária e que intensificou a busca por novos mercados, principalmente no continente africano, Ásia e Oriente Médio. Os produtos mais vendidos foram leite em pó, o condensado e evaporado, cujo volume chegou a 14,3 mil toneladas. O impulso ocorreu no ano passado, quando a empresa venceu duas concorrências das Organizações das Nações Unidas (ONU) para a venda de leite em pó ao Iraque e Palestina. A partir de 2005, quando entrarem em operação as duas novas fábricas, de Uberlândia (MG) e Goiânia (GO), os resultados deverão ser ainda melhores, atingindo um volume de 50,7 mil toneladas ou US$ 57 milhões. "Já temos pedidos de mais 11 países e em janeiro deveremos acompanhar uma missão do governo brasileiro ao México, para buscar o protocolo sanitário que irá autorizar as vendas para aquele país", revelou. (segue)

Agencia Estado,

20 de dezembro de 2004 | 17h42

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