ALEXANDRE BATTIBUGLI|JSL
ALEXANDRE BATTIBUGLI|JSL

Líder em transporte rodoviário, JSL busca receitas em novos segmentos

Desde o início da greve dos caminhoneiros, em 21 de maio, as ações da empresa caíram mais de 35%; presidente do grupo diz que meta é investir em aluguel de equipamentos e transporte público, após experiência positiva da locadora de veículos Movida

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 04h00

O grupo de logística JSL está atrás de talentos: busca três executivos para comandar divisões que passarão a atuar de forma independente e se dedicarão a serviços de transporte para o setor público, à venda de veículos e à locação de máquinas e caminhões. A ênfase na diversificação ocorre em um momento complexo: após a greve dos caminhoneiros, o segmento de transporte rodoviário ficou exposto ao tabelamento dos fretes – o que, segundo especialistas, pode afetar seus lucros. Desde a paralisação dos caminhoneiros, as ações da JSL caíram mais de 35% na Bolsa paulista.

A tentativa de abrir alternativas de receita vem na esteira da experiência da JSL com a locadora de veículos Movida, que também abriu capital na B3. Hoje, a “empresa-mãe” vale R$ 824 milhões na B3, R$ 400 milhões a menos do que a Movida. Embora ambas acumulem queda desde o início do ano, as perdas da JSL são bem mais expressivas: 50%, contra 12,5% da locadora, considerados os dados do fechamento desta quarta-feira, 1º.

O presidente da JSL, Fernando Simões, diz que o transporte rodoviário ainda é o “carro-chefe” do grupo, com cerca de 45% do faturamento. A locadora de veículos vem em segundo, com 30%. O grupo reportou receita líquida consolidada de R$ 7,3 bilhões em 2017.

A parcela restante do faturamento está espalhada por outras três divisões, hoje subordinadas à transportadora. Com a mudança organizacional proposta, diz Simões, cada divisão terá um presidente ou diretor, que poderá definir estratégias de forma mais livre. “Todos os nossos negócios têm sinergias”, diz o executivo, que é filho do fundador do grupo, Júlio Simões, e começou a trabalhar na JSL em 1981, aos 14 anos.

Simões diz que, ao dar mais poder a cada segmento, a JSL conseguirá ter um melhor aproveitamento de ativos. A ideia é que uma atividade auxilie a outra: as concessionárias de veículos novos poderão alimentar o serviço de locação. Já a área de venda de seminovos poderá passar adiante os caminhões usados pelos clientes de aluguel.

A divisão Vamos, por exemplo, que faz locação de máquinas e caminhões, também vai concentrar as 14 revendedoras da marca MAN, da Volkswagen, que pertencem ao grupo. O objetivo da JSL é nomear um CEO para a Vamos. Por fim, as redes de concessionárias de veículos novos do grupo – das marcas Volkswagen, Fiat e Ford – ganharão um diretor executivo.

Transporte rodoviário vive momento de insegurança

Para Maurício Lima, sócio do Instituto Ilos, especializado em logística, o setor de transporte rodoviário vive um momento de insegurança com o fato de a medida provisória do tabelamento do frete ter sido aprovada pelo Congresso Nacional. “Agora, é uma medida que vai ser muito mais difícil de ser derrubada”, afirma.

Por isso, as empresas do setor deverão buscar alternativas de receita além do frete, se puderem. Uma delas, segundo Lima, é justamente o aluguel do caminhão, em vez da realização do frete completo. “O incentivo ao ganho de produtividade acabou. Agora, todo mundo terá de ir a Brasília para negociar uma tabela de frete melhor, em vez de melhorar sua operação.”

Apesar de admitir os desafios atuais do setor, o presidente da JSL diz que a variedade dos serviços ofertados deixa a empresa menos exposta. Embora os fretes sejam relevantes para o negócio, parte de sua receita vem da operação completa da logística de grandes negócios. “É um trabalho customizado”, diz ele, citando que a JSL faz transporte, carregamento e gerencia estoques da fabricante de celulose Fibria e da marca Kibon, da Unilever. “No caso da Kibon, somos responsáveis por garantir o armazenamento do sorvete na temperatura correta”, explica.

Mais conteúdo sobre:
JSL transporte rodoviário

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.