Liquidante recomenda falência do banco BVA

Com um passivo a descoberto de R$ 4,75 bilhões e capacidade de pagar apenas 25% de sua dívida total, o liquidante do banco BVA recomendou ao Banco Central que peça a falência da instituição financeira. Os dados e a recomendação constam do primeiro relatório do processo de liquidação extrajudicial do BVA, assinado por Valder Viana de Carvalho, que foi enviado ao BC em meados de outubro.

JOSETTE GOULART, Agencia Estado

12 de novembro de 2013 | 09h32

O documento é sigiloso e o BC informou por meio de sua assessoria de imprensa que não faz comentários sobre instituições específicas. Três diferentes fontes, entretanto, confirmaram ao Estado as informações. Os números ainda podem sofrer alterações, em função de algum questionamento judicial, quando a lista de credores for divulgada. Se confirmado, o rombo de R$ 4,75 bilhões será um dos maiores da história recente de liquidações bancárias.

Até agora o maior deles foi o do banco Cruzeiro do Sul, que tem um passivo a descoberto de R$ 3,8 bilhões, segundo balanço divulgado em junho. O Banco Santos, outro dos grandes casos recentes de bancos quebrados, tinha um rombo de R$ 2,23 bilhões quando teve sua falência decretada, em 2005. Corrigido pela inflação, esse valor ficaria em torno de R$ 3,5 bilhões.

Os ex-controladores do banco BVA acreditam que esse porcentual de 25% de ativos para cobrir as dívidas está subestimado. ?Pelo conhecimento dos ex-controladores, o total de ativos representa mais do que o porcentual sugerido pela jornalista?, disseram os ex-controladores por nota de sua assessoria de comunicação. ?Contudo é importante esclarecer que os ex-controladores estão afastados do dia a dia do banco há mais de um ano e, diante disso, não podem precisar um valor ou um porcentual.?

O Banco Central atua hoje em duas frentes, no caso específico do BVA. Uma delas é o inquérito que está apurando se houve alguma irregularidade, fraudes ou crimes contra o sistema financeiro. A investigação ainda está em curso. Ao final, o relatório deste processo é enviado ao Ministério Público, que toma providências para abertura de processos criminais, se for o caso. A outra frente é a própria liquidação extrajudicial, em que o BC é o juiz responsável pelo encontro de contas. Pela lei, entretanto, a autarquia terá de obrigatoriamente pedir a falência, em que todo o processo passa às mãos da Justiça, em dois casos: indícios de crime ou se os ativos não forem suficientes para cobrir até 50% das dívidas com os credores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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