Lobão quer antecipar assinatura de concessão de Jirau

O ministro de Minas e Energia,Edison Lobão, pretende antecipar a assinatura da concessão dausina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (RO), de dezembropara agosto ou setembro deste ano. Segundo Lobão, o recurso impetrado na Agência Nacional deEnergia Elétrica (Aneel) pelo consórcio perdedor no leilão devenda de Jirau, formado por Furnas e Odebrecht, não impediráque a usina seja construída no tempo previsto. A Aneel julga orecurso na próxima terça-feira. "Estamos rigorosamente dentro do prazo para a assinatura docontrato e vamos até antecipar a assinatura desse contrato. Nãohaverá nenhum atraso na construção de Santo Antônio e deJirau", disse, referindo-se também à hidrelétrica de SantoAntonio, cuja concessão foi adquirida pelo consórcio lideradopor Furnas e Odebrecht. As duas usinas ficam no mesmo rio e formavam um únicoprojeto desenvolvido por Odebrecht e Furnas em 2001. Com asmudanças na regulamentação do setor elétrico no governo Lula, oempreendimento teve que ir a leilão, ao contrário do queocorria no governo anterior, quando bastava o investidorsolicitar autorização para construir uma usina. O consórcio derrotado em Jirau questionou na Aneel o fatode os vencedores terem modificado o projeto, alterando em novequilômetros a construção da usina, o que é defendido peloconsórcio Energia Sustentável do Brasil, liderado pela SuezEnergy Brasil --nome também da SPE criada para fazer a obra--como uma maneira de reduzir o custo e ter menor impactoambiental. Lobão disse que os dois consórcios vão chegar a uma "boaconclusão" e que deverão se entender para não atrasar aconstrução das usinas que juntas terão capacidade instalada de6.450 megawatts e são fundamentais para garantir oabastecimento elétrico a partir de 2012. SEM INTEGRAÇÃO, DIFICULDADES Na avaliação do presidente da Energia Sustentável doBrasil, Victor Paranhos, sem uma integração entre os doisconsórcios o complexo hidrelétrico do rio Madeira poderá terdificuldades de execução. "Alguns programas ambientais têm que ser tocadoscientificamente da mesma forma, eu não posso ter o mosquitoJirau da malária e o mosquito Santo Antônio de malária, porquesó quem vai ganhar é o mosquito", explicou Paranhos à Reuters. "A mesma coisa acontece com os bagres, a gente tem que terum mecanismo de transposição de peixes semelhante, senão opeixe sobe lá mas não sobe aqui, ou sobe aqui e não sobe lá",complementou. Paranhos também está otimista com a aprovação das mudançasem seu projeto pela Aneel e pelo ministério, mas lamentou terperdido 21 dias por causa do recurso da Odebrecht. "Ainda temos possibilidade de começar este ano (aconstrução), mas não podemos ter mais um dia de postergação dotipo que houve", afirmou, esperando aprovação pela Aneel naterça-feira, o que permitiria iniciar os procedimentos paracomeçar a obra, como o pedido de licença para instalação docanteiro de obras. "A Camargo (Corrêa) já comprou equipamentos, ela conseguemobilizar rapidamente", disse sobre a segunda principal sóciado consórcio, que tem ainda as estatais Eletrosul e Chesf. O grupo capitalizou a Energia Sustentável do Brasil em 250milhões de reais no último dia 3 e subscreveu 2,5 bilhões dereais como garantia adicional para o BNDES, que financiaráparte do projeto de 9 bilhões de reais de Jirau. Paranhos informou que continua com a meta de antecipar paradezembro de 2011 o início da operação de Jirau, antes previstopara 2013 pelo governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.