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Locadoras de veículos ajustam estratégias para manter crescimento

As empresas de locação vêm se articulando para ganhar escala e poder de barganha para negociar com as montadoras; Maior movimento do gênero foi a fusão entre as líderes do setor, Localiza e Unidas

Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2021 | 15h00

Diante da mudança de hábitos do consumidor, especialmente nos grandes centros, as locadoras de veículos começaram a oferecer novos serviços nos últimos anos. Com a chegada da pandemia, as empresas precisaram revisar as estratégias e, agora, com os preços do carro zero nas alturas, o setor tem algumas apostas para continuar a crescer de forma rentável. Além da oferta do serviço de carro por assinatura, elas também aceleram as fusões e aquisições. No entanto, a atual dinâmica da cadeia automotiva deve trazer desafios para locadoras de todos os portes.

A crise de semicondutores na indústria automotiva deve continuar impactando o negócio ao menos até o início de 2023, avaliam especialistas ouvidos pelo Broadcast. O setor de locação encerrou 2021 com um déficit de aproximadamente 600 mil carros, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA).

Neste cenário, as empresas de locação vêm se articulando para ganhar escala e poder de barganha para negociar com as montadoras. O maior movimento do gênero foi a fusão entre as líderes do setor, Localiza e Unidas. A operação foi aprovada pelo órgão antitruste, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda depende do cumprimento de importantes obrigações para sua conclusão.

Na avaliação do especialista em mobilidade e diretor da Bright Consulting, Murilo Briganti, ainda que a união não esteja 100% concluída, é possível afirmar que a fusão de duas empresas deste porte terá impacto no mercado. Para ele, a concentração de mercado pode acarretar em disparada nos preços dos aluguéis de carros. O presidente do Conselho Nacional da Abla, Paulo Miguel Jr., destaca que as companhias de menor porte, em sua maioria, atuam na gestão e terceirização de frota (GTF), tendência que deve se manter no longo prazo. "As pequenas agregam serviços ao cliente, atuando de forma muito mais próxima e entendendo as suas necessidades. Para o futuro, o trabalho personalizado das PMEs deve continuar sendo um diferencial", diz.

 A fusão Localiza e Unidas não deve ser o único movimento do gênero no setor. Desde o ano passado, inúmeras aquisições vêm acontecendo, tanto em veículos leves quanto pesados, e foram encabeçadas por empresas como Movida e Unidas. Além disso, houve também a formação de parcerias de negócios (joint ventures), como a da Volkswagen Financial Services com a LM Frotas, anunciada recentemente.

Até quando?

Briganti acredita que a oferta de semicondutores e outros componentes só deve se restabelecer integralmente em meados do segundo semestre de 2022, o que deve melhorar a produção de veículos e, consequentemente, os estoques. "No entanto, levará anos para o preço dos carros voltar ao crescimento anual padrão de 2% a 3%, se ocorrer", avalia. O tíquete médio dos automóveis no mercado brasileiro passou de R$ 84,5 mil, em 2019, para R$ 112 mil atualmente. Com as legislações mais rigorosas de segurança e emissões e carros cada vez mais conectados, o padrão de preços atual tende a permanecer, avalia o especialista.

 Para fazer frente a esse aumento de custos no curto prazo, Miguel relata que as grandes locadoras estão trabalhando com a chamada tarifa dinâmica, um conceito que vem da hotelaria e da aviação, em que os preços variam conforme a taxa de ocupação. "Algumas tarifas foram reajustadas em 100% a 150% no rent a car (RAC) e nos contratos de carro por assinatura devido a esse momento de exceção que vivemos na cadeia automotiva, mas essa situação não deve perdurar", avalia. Miguel explica que especialmente após a alta temporada, a partir de fevereiro de 2022, esses aumentos devem desacelerar com a queda da procura por aluguel de veículos.

Novo consumidor

Uma das grandes tendências de locação que vem se desenhando no setor, principalmente após o início da pandemia, é a oferta de carro por assinatura. Embora locadoras e montadoras venham promovendo o serviço com grande euforia, o seu alcance é limitado.

"O carro por assinatura ainda é algo relativamente novo no Brasil e como tudo que é novo precisa provar sua funcionalidade. À medida em que a burocracia diminuir, tivermos novos entrantes e menos 'letras miúdas' nos contratos, certamente o consumidor passará a fazer os cálculos e adotar o serviço", diz o diretor da Bright.

Miguel, da Abla, estima que apenas 8% da frota dos associados é destinada aos serviços de carro por assinatura atualmente. "Em cinco anos, esse patamar deve alcançar 15% a 20% do total", afirma. Para Briganti, entretanto, a questão cultural da posse do automóvel ainda pesa muito para o consumidor. "O tema da compra ou aluguel do carro passa a depender muito das ofertas que o mercado dispõe e também das necessidade desse consumidor. Talvez no futuro o sentimento de posse não faça mais tanto sentido", diz.

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