Locamerica compra Unidas e cria a 2ª maior locadora de veículos do País

Avaliada em R$ 2,3 bilhões, companhia que será originada da fusão das duas empresas terá uma frota de 100 mil carros e mais de 300 lojas; com isso, vai concentrar 14% do mercado de locação, ficando atrás apenas da líder Localiza

Dayane Souza, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2017 | 03h00

As locadoras de veículos Locamerica e Unidas anunciaram ontem fusão de suas operações, criando a segunda maior companhia do setor, atrás da Localiza. Depois de uma tentativa frustrada de abrir capital este ano, a Unidas, que teve seu negócio avaliado em R$ 988 milhões e suas ações incorporadas pela Locamerica, optou pela combinação dos ativos com a concorrente para formar uma nova empresa, avaliada em R$ 2,3 bilhões no mercado.

Com a operação, a nova empresa, a Locamerica-Unidas, terá uma frota com mais de 100 mil carros, 234 lojas de locação e 72 lojas de venda de automóveis seminovos. A transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“Com essa nova estrutura, teremos uma vantagem competitiva importante num mercado que ainda é fragmentado”, disse o presidente da Locamerica, Luis Fernando Porto. “Não estamos fazendo esse movimento para finalizar um ciclo, e sim como um passo no caminho de crescimento”, disse. 

Pelo acordo firmado entre as duas companhias, a Locamerica vai comprar 40,3% do capital da Unidas que pertence aos fundos Principal, Vinci, Kinea, Gavea e Enterprise por R$ 398,6 milhões. O fundo Fitpart Capital Partners comprará outros 9,4% por R$ 92,9 milhões. As demais ações da Unidas serão incorporadas à Locamerica na proporção de uma ação da Unidas por 1,059 da Locamerica. O acordo também prevê que a Principal e a Enterprise, acionistas da Unidas, passarão a integrar o bloco de controle da empresa resultante da fusão.

Ontem, as ações ordinárias (ON) da Locamerica fecharam em alta de 12,22%. Os papéis ON das concorrentes listadas na B3 recuaram: os da Movida fecharam em queda de 1,81% e os da Localiza caíram 1,21%.

Participação. A Locamerica-Unidas, que terá uma fatia de mercado de 14%, ultrapassa em tamanho a Movida, que tem 74 mil carros na frota. A líder Localiza, com mais de 185 mil carros, tem participação de mercado de 19%. No fim do ano passado, a Localiza deu um passo semelhante para se consolidar na liderança, com a compra da rival Hertz.

Com uma receita combinada de R$ 2 bilhões nos primeiros nove meses de 2017, Locamerica e Unidas veem espaço para crescer em seus dois principais mercados: o de alugueis de veículos e o de gestão de frota. Um dos objetivos da nova companhia é reduzir custos e ganhar escala nas compras de automóveis junto às montadoras.

Hoje, as margens da Unidas no segmento de alugueis (chamado no setor de ‘rent a car’) são menores que a da maior concorrente. Segundo Carlos Sarquis, presidente da Unidas, a diferença é que a empresa tem maiores despesas com depreciação da frota. Se conseguir comprar carros a um preço menor e vender a preços melhores, essas despesas caem. Nesse ponto, escala na nova vice-líder de mercado fará toda a diferença.

Para os analistas Renato Mímica e Samuel Alves, do BTG Pactual, a transação faz sentido para a Locamerica tanto do ponto de vista financeiro quanto estratégico. Levando-se em conta as sinergias com a fusão, a nova companhia pode atingir lucro líquido de R$ 200 milhões em 2018.

IPO Frustrado. No início deste ano, a Unidas tentou fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), mas não foi adiante. À época, a companhia esperava levantar até R$ 1 bilhão, mas acabou desistindo diante de um apetite fraco por parte de investidores. A Movida fez o mesmo movimento em fevereiro, abrindo a temporada de aberturas de capital este ano.

Com o recuo do IPO, a fusão com a Locamerica foi a forma encontrada pela Unidas para dar saída aos fundos de private equity (que compram participação nas empresas) Gávea, Kinea e Vinci, que saíram do negócio.

Uma nova oferta de ações na Bolsa pode fazer parte da estratégia da nova empresa no futuro, como forma de aumentar liquidez das ações e levantar recursos para expandir o negócio, disse Porto. 

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