Logística: ABTP pedirá financiamento nos EUA p/segurança portuária

Rio, 25 - A Agência Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) vai requerer financiamentos de instituições norte-americanas com juros reduzidos para a implementação de medidas de segurança nos portos brasileiros. Segundo o presidente da associação, Wilen Manteli, a reivindicação visa a implementar os planos de segurança idealizados pelos portos brasileiros para se adequarem às exigências do ISPS-Code, o sistema de segurança portuária contra terrorismo, imposto a 160 países pelos Estados Unidos. A idéia é que até meados de 2005, todos os países tenham adotado as medidas de segurança determinadas. "Alguns terminais portuários de empresas privadas têm condições de financiar as melhorias sozinhos, como é o caso da Vale do Rio Doce ou da Petrobras, mas outros ficarão na dependência de auxílio externo", explicou. O Brasil tem 35 portos públicos e cerca de 180 terminais privados. O presidente da ABTP, Wilen Manteli acredita que o governo libere este ano os R$ 100 milhões prometidos inicialmente aos 17 principais portos do país: Rio Grande, Paranaguá, Itajaí, Rio, Sepetiba, Santos, Vitória, Aratu, Ilhéus, Natal, Areia Branca, Belém, Vila do Conde, Suape, Salvador, São Luiz e Fortaleza. Segundo o secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, o governo vai priorizar a verba para os 17 portos, mas apenas serão liberados R$ 57 milhões este ano. "Para 2005 certamente teremos mais recursos", afirmou. Em encontro interamericano para discutir a segurança portuária, iniciado hoje no Rio, a representante da Agência de Desenvolvimento Comercial dos Estados Unidos, Anne McKinney, se mostrou interessada em viabilizar os financiamentos. É o primeiro encontro bilateral realizado por representantes dos Estados Unidos em dos países que ainda precisam se adequar às novas regras portuárias. Segundo a representante do Departamento de Comércio Americano, Janice Corbett, o Brasil pode "utilizar experiências adotadas nos Estados Unidos devido à semelhança de ambas as nações em seu porte continental". O presidente da ABTP disse que a principal preocupação para a implementação dos sistemas de segurança é de isso não interfira nas relações comerciais e não acarrete mais custos aos produtos brasileiros no exterior, além de não atrapalhar a logística das operações comerciais para a exportação. Segundo ele, as medidas adotadas vão propiciar uma redução da burocracia, que hoje consome cerca de 3% do total movimentado pelas exportações brasileiras. Outro benefício será o combate à pirataria e ao contrabando. "Pressionados por estas exigências internacionais, poderemos inclusive melhorar condições de estrutura interna", disse. (Kelly Lima)

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