Logística: empresas cobram do governo solução para gargalos

Belo Horizonte, 28 - As empresas de logística cobram uma solução do governo federal para resolver os gargalos das ferrovias que impedem o aumento da capacidade de escoamento da produção. Durante o seminário "Desafios de Logística para o Agronegócio", o presidente da MRS Logística, Júlio Fontana Neto, lembrou que uma das alternativas seria a reversão do pagamento da concessão pelas empresas em troca dos investimentos. No caso da companhia, esses aportes seriam feitos no Ferroanel para facilitar os acessos aos portos de Santos (SP) e Sepetiba (RJ). A MRS pretende ampliar a capacidade de transporte do segmento de agronegócio das atuais 10 milhões de toneladas para 30 milhões de toneladas de grãos até 2009. O executivo acredita que outra alternativa para facilitar o aumento de transporte seria a aprovação do projeto de lei que institui as Parcerias Público-Privadas (PPP). Entretanto, segundo ele, as companhias aguardam a definição dos marcos regulatórios e das garantias que serão oferecidas aos projetos. Já o gerente-geral de Agronegócio da diretoria de Logística da CVRD, Cleber Cordeiro Lucas, disse que a companhia vem investindo significativamente na ampliação da capacidade de transporte. Atualmente o segmento representa 23% do total transportado pelo segmento de prestações de serviços a terceiros realizado pela companhia. Conforme relatado pela companhia anteriormente, a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), controlada pela Vale, pretende eliminar os gargalos existentes principalmente nos trechos da Serra do Tigre, região do Triângulo Mineiro. O desenho atual deste percurso impede a ampliação das exportações do agronegócio de Goiás, Minas Gerais e o Espírito Santo e está localizado entre Ibiá (MG) e Garças de Minas (MG). Outro gargalo está no contorno de Belo Horizonte, cujo trecho é utilizado por três empresas, a MRS Logística, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), além de algumas linhas do metrô da capital mineira. Com a solução destes gargalos, as perspectivas são de que a capacidade dobre, possibilitando o transporte dos atuais cinco trens para 23 trens por dia. O volume transportado, que gira em torno de 5 milhões de toneladas de grãos/ano, poderá ser ampliado para 10 milhões de toneladas por ano. A companhia propôs ao governo que parte do saldo remanescente que ainda será pago ao governo pela concessão seja revertido nestas melhorias e o restante será quitado pago em espécie. A estimativa de investimentos necessários nestes percursos é da ordem US$ 300 milhões. O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), José Alexandre Nogueira Resende, defendeu que o governo federal busque abrir linhas específicas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor ferroviário, que até hoje não existem. Ele afirmou que, em alguns casos, o valor do arrendamento pago pelas empresas seria insuficiente para cobrir alguns dos investimentos necessários, principalmente os que irão exigir grandes somas de recursos. "Para alguns projetos essa proposta seria pouco eficiente", afirmou. O governo federal, de acordo com ele, já está analisando diversos trechos que demandam solução urgente sob pena de comprometer o escoamento da próxima safra (2004/2005) de grãos. "O governo é quem vai definir o que é mais importante e qual é a disponibilidade de recursos para estes pontos", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.