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Lucro da AB InBev cai 45% no 3º trimestre, a US$ 1,38 bilhão, e fica abaixo do esperado

No caso da Ambev, que faz parte do grupo cervejeiro, o lucro foi de R$ 3 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado

Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2015 | 08h02

LONDRES - A Anheuser-Busch InBev (AB InBev), maior cervejaria do mundo, anunciou que teve lucro líquido de US$ 1,38 bilhão no terceiro trimestre deste ano, 45% menor que o ganho de US$ 2,5 bilhões registrado em igual período de 2014. Na mesma comparação, o lucro por ação caiu a US$ 0,84, de US$ 1,53, ficando abaixo da previsão dos analistas, de US$ 1,23.

A receita recuou 7,05%, a US$ 11,38 bilhões, mas teve expansão orgânica de 7,9%. A AB InBev, que está no meio do processo de aquisição da concorrente SABMiller, reiterou esperar que o crescimento das vendas e dos investimentos em marketing se acelere no segundo semestre do ano.

Os volumes de cerveja da AB InBev subiram para 121,73 milhões de hectolitros no período, de 120,65 milhões de hectolitros no trimestre anterior, e tiveram aumento orgânico de 1,5%.

No caso específico da Ambev, a fabricante de cervejas teve lucro líquido ajustado de R$ 3,086 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 4,992 bilhões, crescimento de 21,9% ano contra ano.

Assim, a Ambev considerou que o lucro líquido do terceiro trimestre de 2015 foi afetado por maiores despesas de juros e uma maior alíquota efetiva de impostos. A companhia considera que esses efeitos compensaram parcialmente o crescimento do Ebitda no período.

A fabricante de bebidas reportou piora no resultado financeiro líquido, em meio a alta de despesas com juros. A despesa financeira líquida chegou a R$ 316,6 milhões entre julho e setembro, uma piora de R$ 95,5 milhões em comparação com o mesmo período do ano passado. Além das despesas com juros, a companhia afirma que pesou sobre o resultado financeiro uma despesa adicional sem efeito caixa referente à opção de venda associada ao investimento na República Dominicana.

Já as operações da companhia com instrumentos derivativos culminaram em um ganho de R$ 155,2 milhões, que mais que compensaram a perda de R$ 153,1 milhões com outros instrumentos não-derivativos.

A alíquota efetiva de impostos aumentou na comparação anual, passando de um porcentual de 11,7% para 21,4%. A Ambev informou que a variação se deve a menor efeito do benefício de juros sobre capital próprio, que foi R$ 145 milhões mais baixo no trimestre, e a uma maior provisão do imposto retido na fonte devido à variação cambial relacionada a lucros não distribuídos de subsidiárias internacionais, principalmente Canadá. A alíquota nominal ponderada no trimestre foi de 30,4% comparada a 31,5% do terceiro trimestre de 2014.

De julho a setembro, a companhia teve uma despesa não-recorrente de R$ 19,6 milhões, crescimento ante os R$ 12,1 milhões do mesmo período do ano anterior. Os montantes estão associados, conforme informou a empresa, a gastos com reestruturação e outros processos administrativos.

Brasil.As operações brasileiras da Ambev registraram alta de 1% no volume de bebidas vendido no terceiro trimestre de 2015, passando para 27,064 milhões de hectolitros ante volume de 26,792 milhões em igual período do ano passado. O desempenho foi resultado de alta nas vendas em volume de cervejas e queda no volume de refrigerantes e bebidas não alcoólicas.

Entre julho e setembro, o volume de cerveja comercializado no Brasil teve alta de 3,5%, somando 20,371 milhões de hectolitros. Já o segmento de refrigerantes e bebidas não alcoólicas apresentou retração de volume no período, de 5,9%, chegando a 6,693 milhões de hectolitros no quarto trimestre de 2014. A receita líquida consolidada oriunda do Brasil cresceu 10,5% no período, somando R$ 5,888 bilhões.

Segundo a Ambev, a participação no mercado nacional de cervejas atingiu 67,8% no terceiro trimestre, mantendo patamar próximo dos 67,6% do trimestre anterior.

"O volume cresceu impactado, principalmente, por um clima favorável, uma base de comparação mais fácil já que o terceiro trimestre de 2014 foi o trimestre mais fraco em termos de desempenho do volume no ano passado e pelo sucesso da implementação de nossas iniciativas comerciais", disse a companhia em sua divulgação de resultados. Já a alta da receita por hectolitro, segundo a companhia, foi impulsionada por iniciativas de gestão da receita, melhor mix de cervejas premium e do segmento chamado de "near beer".

De acordo com a companhia, a participação no mercado de refrigerantes se manteve no patamar de 19,6%, igual a do trimestre anterior. A companhia considerou que a indústria de refrigerante continuou a ser pressionada pelo ambiente macroeconômico e afirmou que o setor como um todo atingiu declínio de um dígito alto.

Outras regiões. A Ambev comercializou 39,988 milhões de hectolitros de bebidas em todas os países onde opera ao longo do terceiro trimestre de 2015. O resultado representa crescimento de 0,2% na comparação com o volume de bebida vendido no mesmo período do ano passado.

O desempenho do trimestre foi resultado de um crescimento de volume de cerveja tanto no Brasil como nas outras regiões onde a companhia atua. Houve, porém, retração nos volumes de refrigerantes no Brasil e em países da América Latina Sul (LAS).

As operações da Ambev em países da América Latina Sul - região composta por Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai - apresentaram um recuo de 6,4% no volume de vendas no terceiro trimestre de 2015 ante o mesmo período do ano passado. De julho a setembro deste ano, a companhia comercializou 7,816 milhões de hectolitros de bebidas nos países da região.

Considerando apenas as vendas de cervejas, houve crescimento no volume vendido na região, mas o resultado total foi afetado por uma queda no negócio de refrigerantes. O volume de cerveja na LAS chegou a 5,191 milhões de hectolitros, crescimento de 5,6%. A alta, segundo a Ambev, foi impulsionada pelos mercados da Argentina, do Chile e do Paraguai. A companhia destacou que a marca Corona está impulsionando um ganho de participação de mercado de um dígito médio no Chile.

Já nas operações de refrigerantes e bebidas não alcoólicas, houve recuo de 23,7% no volume, para 2,625 milhões de hectolitros. Parte da queda é explicada pelo fato de que a companhia deixou de reportar o volume de refrigerante no Peru em razão de um acordo local com a CBC pelo qual a Ambev passa a se concentrar no negócio de cerveja no país. Mesmo excluindo esse impacto, porém, haveria queda de dois dígitos baixos no volume, disse a Ambev, dado que, segundo a empresa, "reflete as condições de mercado desafiadoras na região".

Na América Central e Caribe, a Ambev reportou crescimento de 16,1% no volume de bebidas vendido. De julho a setembro, a empresa reportou vendas de 2,339 milhões de hectolitros na região. As operações da Ambev na América Central englobam os países República Dominicana, Antígua, Dominica, Saint Vicent, Guatemala, El Salvador e Nicarágua. Segundo a companhia, houve crescimento de dois dígitos em volume em todos os principais países da região. O volume de cerveja aumentou 13% na comparação anual enquanto o de refrigerantes subiu 27,1%.

A receita líquida na região também cresceu. Houve alta de 70,3% na comparação anual, chegando a R$ 834,3 milhões. As despesas, porém, também subiram. As despesas com vendas, gerais e administravas na região somaram R$ 200,3 milhões, alta de 58,8% no período.

A operação da Ambev no Canadá apresentou avanço em receita e nos volumes vendidos. No terceiro trimestre de 2015, a receita líquida da unidade foi de R$ 1,587 bilhão, alta de 21,1% ante mesmo período de 2014. Já o volume vendido subiu 1,2%, para 2,767 milhões de hectolitros.

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