Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com corte de custos e alta de tarifas, lucro da Caixa sobe 81,8%

Lucro líquido chegou a R$ 1,5 bilhão; banco não alterou projeções econômicas por causa da delação da JBS

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2017 | 09h33

O aumento de taxas de juros e tarifas, além da redução das despesas administrativas, levou a Caixa Econômica Federal a registrar lucro líquido de cerca de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre deste ano, cifra 81,8% maior do que a do mesmo período de 2016. Na comparação com os três meses anteriores, quando o resultado foi de R$ 691 milhões, houve expansão de 115,3% no resultado.

O lucro recorrente, que desconsidera efeitos extraordinários, totalizou R$ 1,7 bilhão, 49,6% maior que o verificado no primeiro trimestre de 2016. Já o resultado operacional alcançou R$ 1,9 bilhão, avanço de 420% em 12 meses.

Em entrevista a jornalistas sobre os resultados da instituição, o vice-presidente de finanças e controladoria, Arno Meyer, não quis falar de possíveis perdas com operações envolvendo o grupo J&F, controlador da JBS, após a delação premiada dos irmãos Batista. “O futuro a Deus pertence, não tenho bola de cristal”, disse.

Meyer afirmou ainda que a Caixa não mudou suas projeções para a macroeconomia após a turbulência gerada no País com as delações da JBS e disse não saber se o banco detectou alguma irregularidade sobre eventuais favorecimentos à empresa. “Não tem nada do meu conhecimento.”

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Desafios. Segundo o executivo, a Caixa continua debruçada nos desafios já divulgados anteriormente, que incluem a melhora da eficiência, da rentabilidade – que já ocorre, mas de maneira lenta – e do crescimento das receitas com serviços e tarifas. Os números do primeiro trimestre, segundo ele, já apontam nessas direções.

As receitas do banco com prestação de serviços, por exemplo, cresceram 13,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, totalizando R$ 6 bilhões, alavancadas por receitas de crédito, administração de fundos de investimento e convênios e cobrança.

Já a carteira de crédito encerrou março em R$ 715 bilhões, avanço de 4,5% em 12 meses. Com isso, a participação de mercado da Caixa foi a 22,8%. Conforme o banco, o crescimento das operações de habitação, saneamento e infraestrutura, além das de crédito consignado, foram os principais responsáveis pela evolução da carteira.

O índice de inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, também melhorou e ficou em 2,83%. O indicador teve queda de 0,7 ponto porcentual em um ano e, segundo a Caixa, seguiu abaixo da média de mercado, de 3,84%.

“O comportamento da inadimplência demonstra que as ações de aperfeiçoamento da gestão de risco, da cobrança e dos demais elementos do ciclo do crédito continuam a produzir as melhorias esperadas”, destacou a Caixa em relatório.

A Caixa somou R$ 1,28 trilhão em ativos totais no primeiro trimestre, alta de 3,2% em um ano e de 2,1% na comparação com os três meses anteriores. O patrimônio líquido foi a R$ 64, 5 bilhões, expansões de 3,2% e 1,4%, respectivamente.

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