Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Lucro da Petrobrás despenca 89% no 2º tri e vai a R$ 531 milhões

Retração foi maior do que a esperada pelo mercado financeiro e tem origem no pagamento de débitos tributários, reavaliação de ativos e queda do preço do petróleo

Antonio Pita, Fernanda Nunes,Mariana Durão,Vinícius Neder, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 19h05

Texto atualizado às 22h54

RIO - A Petrobrás fechou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 531 milhões, um tombo de 89% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado é o terceiro pior da década para o período e foi atribuído pela companhia a “eventos extraordinários” no cenário externo e a um período de “ajustes” nas finanças. Em meio ao processo de reestruturação, a queda evidencia a fragilidade financeira da estatal e indica que o horizonte de retomada de um crescimento mais vigoroso ainda está distante. 

O lucro veio bem abaixo do projetado por bancos e analistas consultados pelo Estado, que projetavam um lucro na casa dos R$ 4 bilhões. Entre os fatores externos que pesaram, a companhia listou a depreciação cambial e a queda do preço internacional do barril petróleo, que passou de US$ 114, no último ano, para uma média de US$ 61. A queda no preço do petróleo reduziu a receita da companhia em 2,9% na comparação com 2014, mas também permitiu um menor pagamento de royalties e participações governamentais. 

Apesar da queda na receita e no lucro, a estatal apresentou alguns resultados positivos. O lucro operacional foi de R$ 9,48 bilhões, o que corresponde uma alta de 7% frente ao resultado do mesmo período de 2014. A geração de caixa da empresa medida pelo Ebitda aumentou 21,7% em relação ao ano passado, totalizando R$ 19,771 bilhões. 

A alavancagem, que mede o quanto do patrimônio está comprometido com dívidas, ficou em 51% - praticamente estável em relação à marca de 52% registrada no final do primeiro trimestre. No segundo trimestre do último ano, o indicador era de 40%. A alavancagem, de qualquer forma, permanece acima do patamar de 35% considerado desejado pela Petrobrás.

Um outro fator que influenciou negativamente o balanço foi o reconhecimento de despesas tributárias no valor de R$ 3 bilhões. O presidente da estatal, Aldemir Bendine, classificou como prioridade atual da petroleira “enfrentar o alto passivo tributário” da empresa. A Petrobrás já havia comunicado pagamento de R$ 1,4 bilhão à Receita Federal, mas decidiu antecipar o provisionamento referente a outras ações tributárias ainda em tramitação. 

“Estamos fazendo aquilo que deveria ter sido feito antes”, disse Bendine. A estratégia, segundo ele, é aproveitar condições vantajosas, em acordos, para reduzir o passivo. O executivo desvinculou a decisão de antecipar provisões à demanda do governo federal por superávit. “Isso é problema do Tesouro. Não estamos aqui para fazer caixa para o Tesouro”, disse.

‘Transparência’. Ciente do resultado abaixo das expectativas, Bendine disse que a companhia “priorizou a transparência e previsibilidade” em seu balanço. “2015 ainda é um ano de ajuste. Pode ser que o número final não mostre a grandiosidade da companhia, mas estamos satisfeitos por que não só o que propomos fazer tem se cumprido, mas o resultado operacional está atendendo a nossa expectativa”, completou. 

O balanço trouxe ainda uma baixa contábil no valor de ativos (impairment) de R$ 1,2 bilhão, em função do abandono de projetos. Entre eles, a unidade de fertilizantes em Uberaba (MG), que teve a construção paralisada, e campos de óleo e gás, como Bijupirá-Salema, na Bacia de Campos, alvo de desinvestimento da companhia. 

Para o analista de mercado Walter de Vitto, da consultoria Tendências, o balanço reflete o corte de investimentos da companhia, de 12,8% no semestre. Entretanto, em sua avaliação, para a empresa retomar indicadores financeiros saudáveis, será preciso apertar ainda mais os gastos. “Se o corte nos investimentos não for feito com maior intensidade, a empresa não terá como equacionar a sua dívida.”

Preço dos combustíveis. Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Jorge Celestino Ramos, os preços dos combustíveis no Brasil estão alinhados com os do mercado internacional, o que garante margens positivas e competitivas às refinarias. 

Além disso, a empresa foi beneficiada pela queda da importação de derivados de petróleo e pela melhora da eficiência no refino.


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