Lucro da Petrobrás recua 16,5% no 1º trimestre, para R$ 7,7 bi

Queda deveu-se ao recuo na produção de petróleo e à defasagem existente no preço dos combustíveis

André Magnabosco e Sabrina Valle, da Agência Estado,

26 de abril de 2013 | 19h12

 

 

Texto atualizado às 20h

SÃO PAULO/ RIO - A Petrobrás reportou lucro líquido de R$ 7,693 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma retração de 16,51% em relação ao mesmo período de 2012. A queda já era esperada, uma vez que o volume de produção de petróleo da estatal encolheu no início do ano. Além disso, a Petrobrás continua a sofrer com o descasamento entre os preços dos combustíveis vendidos no mercado doméstico e aqueles importados pela companhia para atender a demanda interna. Apesar do recuo, o resultado veio acima do esperado pelos analistas.

Nos últimos dez meses, a Petrobrás reajustou a gasolina em 14,9% e o diesel em 21,9%, conforme destacado pela presidente da estatal, Maria das Graças Foster, em apresentações sobre o Plano de Negócios 2013-2017.

Os aumentos, embora ainda insuficientes para eliminar o prejuízo da estatal nas operações de importação e revenda de combustíveis, contribuíram para o aumento de 10% da receita líquida na comparação com o começo de 2012. As vendas da companhia totalizaram R$ 72,535 bilhões entre janeiro e março.

Na carta que acompanhou o balanço financeiro e operacional da companhia, Graça afirmou que espera elevar o caixa da empresa também com uma política de austeridade em relação aos custos. Mesmo assim, fez questão de reafirmar a importância de novos reajustes para aproximar os preços domésticos dos combustíveis dos internacionais.

"Tenho dito que a melhora do nosso fluxo de caixa não deve ocorrer somente em função de aumentos de preços, mas também de nossa eficiência operacional e da busca pela excelência em custos. Sem dúvida que os aumentos são importantes e nós continuamos comprometidos com a busca da convergência com os preços internacionais, conforme demonstrado nos reajustes recentes. No entanto, igualmente importante, é a melhoria da nossa eficiência nas atividades operacionais e nos dispêndios com projetos de investimento", afirmou.

Ela fez questão de destacar os resultados já obtidos pelo programa de otimização de custos. "De janeiro a março de 2013 prevíamos uma meta de redução de custos operacionais de R$ 646 milhões. A economia observada até o momento foi de R$ 1,3 bilhão, um terço do total previsto para o ano de 2013, cuja meta é de R$ 3,8 bilhões. Estamos fazendo nosso dever de casa e os resultados vêm ocorrendo conforme planejado".

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado trimestral totalizou R$ 16,231 bilhões, com retração de 1,76% na mesma base comparativa. Já o resultado líquido financeiro da empresa foi positivo em R$ 1,390 bilhão no primeiro trimestre, ante R$ 465 milhões positivos no primeiro trimestre de 2012. 

Queda na produção

A produção total de óleo e gás natural da estatal somou 2,552 milhões de barris diários no primeiro trimestre, uma retração de 5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação ao quarto trimestre de 2012, o indicador apresentou retração de 2%.

Quando considerada apenas a produção nacional, o indicador teve retração de 5% entre janeiro e março, ante o mesmo intervalo de 2012, somando 2,310 milhões de barris diários. Na comparação com o quarto trimestre de 2012, o desempenho doméstico foi 3% menor, em decorrência principalmente do maior número de paradas programadas, do declínio natural dos campos, das saídas das plataformas SS-11 de Baúna e P-34 de Jubarte, além do final do teste de longa duração de Oliva.

Na carta aos investidores e acionistas, Graça chamou a atenção para o crescimento de 72% do lucro da petroleira ante o trimestre anterior antes de destacar a queda de 4% na produção nacional ante o quarto trimestre do ano passado.

"Enfatizo aqui nossa confiança nas perspectivas de crescimento da produção de óleo e gás da Petrobrás", declarou a executiva, lembrando que a própria Petrobrás havia antecipado o provável cenário de queda da produção e, mais uma vez, afirmou que "a produção de óleo e gás natural no Brasil em 2013 deve ficar estável em relação a 2012, tendo menor patamar no primeiro semestre pela concentração de paradas para manutenção".

Graça destacou o início da operação de duas unidades nesse trimestre, os FPSO Cidade de São Paulo e Cidade de Itajaí, como importantes para a "elevação sustentada" da produção a partir do segundo semestre. Também colocou nessa conta o fato de o FPSO Cidade de Paraty já estar em sua locação no campo de Lula NE desde o último dia 18 de abril, em processo de ancoragem, com início de operação previsto para 28 de maio. "Outras 4 unidades entrarão em operação ao longo do ano (P-63, P-55, P-58 e P-61)", disse.

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