Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Lucro da Vale sobe 410% ante 2º tri de 2017, mas registra efeito negativo do câmbio

Ganhos da mineradora somaram R$ 306 milhões, alta de 410% em relação a abril e junho de 2017, mas queda acentuada na comparação com trimestre anterior; efeito contábil da desvalorização de 16% do real frente ao dólar pesou contra o indicador

O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2018 | 21h36

A Vale anunciou nesta quarta-feira, 25, que fechou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 306 milhões, um salto de 410% frente ao mesmo período do ano passado. Uma alta puxada por recorde de vendas e prêmios pagos pela elevada qualidade do minério de ferro negociado pela companhia. Já frente ao primeiro trimestre, a companhia viu seu desempenho encolher 95%, influenciado pelo impacto do câmbio e pelo aumento de R$ 1,5 bilhão na provisão (reserva para perdas futuras) para o acidente da Samarco. 

Com a alta de 16% do dólar ao longo de abril a junho, a companhia amargou um efeito contábil negativo que reduziu o lucro líquido do período em R$ 7,3 bilhões. A depreciação do real teve impacto direto no custo de carregamento da dívida da Vale, que é 90% atrelada á moeda americana. O estrago só não foi maior porque a mineradora conseguiu cortar pela metade seu endividamento desde junho do ano passado. O movimento levou a dívida para o menor patamar desde 2011. Em 12 meses, o corte já totaliza quase US$ 11 bilhões, o que a aproxima da meta de US$ 10 bilhões fixada pelo atual comando da mineradora. 

“Mostramos um progresso significativo em previsibilidade, flexibilidade, gerenciamento de custos, disciplina na alocação de capital e diversificação por meio de nossos próprios ativos”, disse o diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, em nota. 

Com o real mais desvalorizado, a empresa decidiu diminuir em cerca de US$ 200 milhões sua projeção de investimento em moeda estrangeira. O resultado, porém, não deve alterar significativamente os projetos considerados importantes para o desempenho da empresa, como a retomada da unidade de pelotização de São Luís. A maior parte do investimento necessário para isso acontece no Brasil e tem o custo medido em real. 

Segundo o diretor-executivo de Minerais Ferrosos e Carvão, Peter Poppinga, a Vale está progressivamente implementando uma estratégia de diferenciação. “O prêmio de qualidade no preço realizado da Vale atingiu um recorde de US$ 7,1 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2018”, disse. O resultado de sua área representa hoje mais de 90% da atividade da empresa. 

Samarco

Outro fator que afetou o resultado entre abril e junho de 2018 foi o aumento em R$ 1,5 bilhão na provisão (reserva para eventuais futuras) do desastre ambiental da Samarco com a vazamento da barragem de Mariana, em Minas Gerais em 2015. Na semana passada, a Vale informou que iria ampliar a provisão. Originalmente, a empresa considerava uma cifra de R$ 3,7 bilhões, que se baseava em estimativas preliminares de programas implementados pela Fundação Renova, responsável pela gestão dos projetos.

Apesar dos números mais fracos frente ao primeiro trimestre, o resultado reportado nesta quarta-feira, 25, mostra que a companhia continua conseguindo cumprir as promessas que tem feito para analistas e investidores. Além de recuperar o selo de boa pagadora pela agência de classificação de risco Moody´s, a Vale anunciou que irá pagar aos acionistas R$ 7,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio em agosto. 

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