Ed Ferreira, Daniel Teixeira e Epitácio Pessoa/Estadão
Ed Ferreira, Daniel Teixeira e Epitácio Pessoa/Estadão

Lucro de BB, Bradesco, Santander e Itaú sobe 63,6%, para R$ 22 bi, no 2º trimestre

Maiores bancos do País se mostraram recuperados do baque sofrido com os efeitos desencadeados pela covid-19 no segundo trimestre, em um cenário de pressão inflacionária e preocupações com o ritmo da atividade econômica à frente

Aline Bronzati e Marcelo Mota, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2021 | 12h00

Apesar de o Brasil ter sofrido com segunda onda da pandemia, bancos mostraram bom desempenho entre abril e junho; parte das instituições revisou para cima projeções para o ano

Os maiores bancos do País se mostraram recuperados do baque sofrido com os efeitos desencadeados pela covid-19 no segundo trimestre, em um cenário de pressão inflacionária e preocupações com o ritmo da atividade econômica à frente. Mesmo após o impacto de duas ondas de pandemia, mantiveram o calote sob controle e estão com mais apetite para emprestar – mas vai sobrar para o bolso dos brasileiros diante da elevação dos juros no País. 

Somado, o lucro líquido recorrente de Banco do Brasil (BB), Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil passou dos R$ 22 bilhões no segundo trimestre, montante 63,6% ante um ano antes. O desempenho veio em linha com a média de R$ 21,265 bilhões estimada para o período, de acordo com seis casas consultadas pelo Prévias Broadcast (BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America (BofA), JPMorgan, UBS BB e Santander).

No caso do Santander, uma pequena diferença nas estimativas do mercado foi vista diante da segregação das operações da sua empresa de maquininhas, a Getnet. O banco recalculou seu balanço sem o suporte deste negócio, que ganhará carreira solo.

Dentre os motores para os resultados dos grandes bancos brasileiros no segundo trimestre esteve o crédito, confirmando o maior apetite dos pesos pesados do sistema financeiro brasileiro. Para o segundo semestre, a expectativa é de que os empréstimos tenham ainda mais vigor, sobretudo, em linhas sem garantias atreladas, cujo risco é maior, mas os ganhos também.

O crescimento do crédito no segundo semestre virá a reboque de um custo maior ao tomador brasileiro. Com o aumento de preços "persistente" no País, o Banco Central acelerou a alta da taxa básica de juros da economia, a Selic, elevando-a de 4,25% para 5,25% ao ano. O ciclo de aperto monetário afeta diretamente o custo de captação dos bancos, que já sinalizaram repasse aos consumidores.

"O aumento dos juros será repassado ao crédito. Não tem como não fazê-lo. Esse repasse é certo na taxa de juros da atividade bancária", disse o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, em conversa com a imprensa, mais cedo.Sob a ótica dos bancos, o custo do crédito, medido pelo gasto com provisões para devedores duvidosos versus a recuperação de empréstimos vencidos e não pagos, seguiu melhorando no segundo trimestre, o que também beneficiou os resultados no período. A expectativa é de que a inadimplência, em níveis recordes de baixa, suba nos próximos trimestres, mas em ritmo controlado, retomando o período pré-pandemia.

Otimismo adiante

A reabertura da economia brasileira, com a corrida atrás da vacinação pelos Estados, também já mostrou efeitos nas receitas de tarifas e serviços, em especial em cartões e bancos de investimento, com operações recordes na primeira metade do ano. 

Confirmando a recuperação dos balanços dos bancos, a despeito dos estragos da segunda onda da covid-19 no Brasil, a temporada do segundo trimestre veio acompanhada de revisão nas projeções de desempenho, os chamados guidances. Em sua maioria, para melhor, como no caso de Itaú e BB.Já o Bradesco considerou os seus guidances adequados para o ambiente atual. A única mudança negativa veio do seu negócio de seguros, que historicamente contribui com uma fatia de 25% a 30% do lucro do banco. A segunda onda da covid-19 pesou no desempenho da sua seguradora, elevando suas despesas e comprimindo seu lucro, que representou apenas 10% do resultado do Bradesco no segundo trimestre.

Agências x digital

Em meio ao calhamaço de números, os bancos também reforçaram o discurso digital, que predominou durante a pandemia, com dados sobre a adição de clientes nas plataformas virtuais, novos negócios como iti, do Itaú, e Next, do Bradesco, além da reestruturação da rede física. Como consequência, o número de agências de BB, Bradesco e Santander se reduziu em 312 unidades no segundo trimestre ante o primeiro.

A justificativa dos banqueiros é a de que, mais do que fechar pontos físicos, o movimento em curso visa a repaginar a rede para fazer frente ao digital. O Bradesco, por exemplo, vai fechar as portas de 184 agências no ano, mas, por outro lado, pretende transformar 400 em unidades de negócios, que são estruturas mais enxutas e, portanto, mais eficientes.

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