Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Lucro de empresas listadas na Bolsa tem alta de 125% no trimestre

Ganho acumulado por 291 companhias chega a R$ 128,2 bilhões, segundo estudo; Petrobras e Vale puxam resultados no período

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 05h00

As empresas brasileiras de capital aberto estão retomando fortemente seus lucros. Os balanços divulgados até o momento, que representam a maior parte daquelas listadas na Bolsa, mostraram desempenho positivo no terceiro trimestre comparado não só a 2020, mas também a 2019, anterior à pandemia. De acordo com um levantamento da Economatica, o lucro líquido das 291 companhias com ações na B3 somou R$ 128,24 bilhões, representando um aumento de 125% em relação ao terceiro trimestre de 2020 e de 139% na comparação com o de 2019. Vale e Petrobras representam 40% deste número, beneficiadas pela alta das commodities.

Excluindo ambas, o lucro líquido das companhias cresceu 78%, para R$ 76,89 bilhões, puxado pelo resultado dos bancos, que tradicionalmente é o setor mais lucrativo entre os representados na Bolsa. Os bancos tiveram um lucro líquido no agregado de R$ 24,15 bilhões no terceiro trimestre, uma soma que supera em 38% o lucro no mesmo trimestre do ano passado e em 12,5% o registrado nos mesmos três meses de 2019. 

Em um terceiro grupo, em que se retiram todas as empresas do setor financeiro e as gigantes Vale e Petrobras, o lucro líquido das empresas também têm destaque. Os ganhos das empresas listadas foram de R$ 49,87 bilhões, alta de 140,6% em relação ao terceiro trimestre de 2020 e de 354,9% acima de 2019. 

Para Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da Economatica, os números mostram um desempenho sólido das empresas abertas. Ele também chama a atenção para os dados sobre o endividamento e caixa das empresas do terceiro grupo, que ele define como saudáveis. “Vemos que a dívida das companhias cresceu abaixo da inflação, considerando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) nos últimos 12 meses, que está ultrapassando 10%”, diz. 

Setores

Os setores de alimentos e bebidas e eletricidade puxaram a expansão nos resultados das companhias não financeiras. O setor de alimentos e bebidas registrou um lucro líquido agregado de R$ 12,93 bilhões, enquanto o de energia elétrica fechou o período com lucro de R$ 14,14 bilhões. O comércio, por sua vez, viu o lucro avançar 41% em relação a 2019, com aumento no consumo em meio à pandemia. O setor lucrou R$ 88 bilhões no terceiro trimestre deste ano.

Apesar de a fotografia ser positiva, o Ibovespa acumula queda de mais de 12% este ano e de quase 9% em um mês. O analista de investimento da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi, diz que as perdas de várias ações, apesar de seus resultados, são puramente reflexo de aversão ao risco. “As empresas podem ter um resultado excelente e o papel não ter um desempenho equivalente, porque é uma questão de aversão ao risco. Este é o cenário no momento”, comentou. 

Ganhos altos

  • R$ 128,24 bilhões: foi o lucro total das empresas de capital aberto no terceiro trimestre de 2021, sendo que Vale e a Petrobras representam 40% deste valor;
  • 354,9%: foi o crescimento do lucro das empresas na Bolsa, ao excluir Vale, Petrobras e as companhias do setor financeiro, em relação ao terceiro trimestre de 2019.

Setores

  • Vale e Petrobras 

Sozinhas, as duas empresas representaram 40% de todo o faturamento das  companhias de capital aberto, muito beneficiadas pelo ciclo de alta das commodities neste ano

  • Financeiro 

As companhias do setor financeiro também tiveram um trimestre positivo, com o lucro dos bancos chegando aos R$ 24,15 bilhões, alta de 38% em relação a 2020 e de 12,5% em comparação com o mesmo período de 2019, antes da pandemia 

  • Alimentos 

Mesmo com a inflação em alta, o setor de alimentos e bebidas puxou os lucros das empresas não financeiras, com os ganhos chegando a ram a R$ 12,93 bilhões

  • Energia

Apesar da crise hídrica, as companhias do setor de energia tiveram um lucro de R$ 14,14 bilhões

  • Bolsa em baixa

O Ibovespa segue em baixa por causa da instabilidade fiscal e, mesmo com os resultados do terceiro trimestre, tem queda de 12% no acumulado do ano e de 9% apenas neste mês

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