Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Lucro do Banco do Brasil cai 28,6% em 2014

O balanço é o último assinado por Aldemir Bendine, que na semana passada foi indicado para a presidência da Petrobrás; banco teve lucro de R$ 11,246 bilhões no ano passado

Agência Estado e Reuters

11 Fevereiro 2015 | 07h10

O Banco do Brasil teve queda no lucro em 2014. A instituição anunciou resultado de R$ 11,246 bilhões em 2014, valor 28,6% menor do que o verificado em 2013. No quarto trimestre do ano, o resultado foi de R$ 2,959 bilhões, queda de 2,2% em um ano e alta de 6,4% sobre os três meses anteriores.

O resultado, porém, considera eventos extraordinários. Sem considerá-los, o lucro líquido ajustado do BB foi a R$ 11,343 bilhões, aumento de 9,6% ante 2013, quando a cifra foi de R$ 10,353 bilhões. No cálculo foram excluídos eventos como os efeitos do IPO da BB Seguridade ocorrida em abril daquele ano. No quarto trimestre do ano, o lucro ajustado somou R$ 3,020 bilhões, montante 24,6% superior que o visto em igual intervalo de 2013. Ante o terceiro trimestre, o aumento foi de 4,7%. O lucro líquido ajustado no quarto trimestre veio em linha com as estimativas do mercado.

O balanço é o último assinado pelo ex-presidente da instituição, Aldemir Bendine, que na semana passada foi indicado para assumir a presidência da Petrobrás após a renúncia de Graça Foster. O novo presidente do BB, Alexandre Abreu, já participa da coletiva dos resultados de hoje.

"O resultado obtido no ano refletiu a estratégia de atuação do Banco com foco em linhas de crédito de menor risco, controle das despesas e mudança no mix de captações para reduzir custos", destaca o BB, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

Crédito. O Banco do Brasil não conseguiu alcançar metade das metas que traçou para o ano de 2014, incluindo todos os guidances para crédito e ainda para captações comerciais. Por outro lado, alcançou as expectativas para margem financeira bruta, retorno, rendas com tarifas, indicador de gastos com provisões e despesas administrativas.

O Banco do Brasil divulgou metas mais tímidas para o crescimento do crédito em 2015. A instituição espera que seus empréstimos no conceito ampliado, que incluem títulos privados e garantias, cresçam no mínimo 7% e no máximo 11% neste ano, abaixo da projeção do ano passado, de aumento de 12% e no máximo 16%. Tal intervalo já havia sido revisado para baixo. O anterior ia de 14% a 18%.

A carteira de crédito do BB no conceito ampliado, incluindo carteira classificada País, garantias prestadas e títulos privados, cresceu 10% em 2014, abaixo do intervalo de 12% a 16%. Neste ano, o banco espera que seus empréstimos avancem entre 7% e 11%. A carteira de crédito ampliada foi a R$ 760,9 bilhões ao final de dezembro. 
"O resultado da carteira de crédito foi impactado pela menor demanda. Na pessoa física, tivemos reflexo do volume de carteira adquirida e crédito veículo, compensado, parcialmente pelo crédito imobiliário no período", explica o BB, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

Os empréstimos para pessoa física avançaram 6,8% no ano passado, também abaixo da meta de crescimento de 8% a 12%. Para 2015, o banco projetou incremento de 6% a 10%. Na pessoa jurídica, o crédito teve alta de 9,9%, inferior ao intervalo de 12% a 16%. Ao divulgar o guidance para 2015, o banco também foi mais conservador e apresentou faixa de 7% a 11%.

Até mesmo no agronegócio, segmento que detém a liderança, o BB não cumpriu sua meta, ao elevar os empréstimos para esta área em 13,9% no ano passado. A instituição esperava aumento de 16% a 20% em 2014 e para este exercício projeta expansão de 10% a 14%. "No crédito à pessoa jurídica, registramos um menor crescimento das operações, notadamente com títulos privados e micro e pequenas empresas e MPE enquanto que no agronegócio, houve um menor volume contratado na linha de agroindustrial", explicou o BB.

As captações comerciais cresceram apenas 4,5% no ano passado, bem abaixo do intervalo de 12% a 16%. Segundo o BB, o resultado foi decorrente da estratégia de gestão do portfólio. Para 2015, a instituição espera que esta linha aumente de 5% a 9%.

O destaque no quarto trimestre, segundo o banco, foram as operações voltadas às pessoas jurídicas que cresceram 3,5%, para R$ 354,104 bilhões. Em um ano, o avanço foi de 9,9%. Já os empréstimos para pessoas físicas aumentaram 2,5% e 6,8%, respectivamente, para R$ 179,7 bilhões.

Ativos. O Banco do Brasil encerrou dezembro com R$ 1,4 trilhão em ativos totais, cifra 10,2% superior à vista em um ano, de R$ 1,3 trilhão. Na comparação com setembro, foi identificada leve alta de 0,4%.

O patrimônio líquido da instituição atingiu R$ 80,6 bilhões no quarto trimestre, elevação de 11,6% em um ano, quando somava R$ 72,2 bilhões. Ante os três meses anteriores, teve recuo de 0,8%. O retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado, chamado pelo BB de RSPL, foi a 16,6% ao final dezembro contra 16,1% em setembro e 14,2% um ano antes. Considerando eventos extraordinários, o retorno foi de 16,2% ante 15,5% e 18,0%, nesta ordem. Colaborou Aline Bronzati

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