Lucro do Banco do Brasil soma R$ 15,8 bilhões em 2013, novo recorde anual

O resultado superou em 29,1% o alcançado em 2012; no quarto trimestre, o lucro foi de R$ 3 bilhões

Aline Bronzati, da Agência Estado, Texto atualizado às 10h40

13 de fevereiro de 2014 | 07h49

O Banco do Brasil encerra nesta quinta-feira, 13, a temporada de divulgação de resultados dos grandes bancos listados ao anunciar lucro líquido de R$ 15,758 bilhões em 2013. O resultado anual foi recorde, superando em 29,1% o alcançado em 2012. No conceito ajustado, porém, foi de R$ 10,353 bilhões, recuo de 10,2% na mesma base de comparação.

No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 3,025 bilhões, cifra 23,7% inferior à de igual intervalo de 2012, de R$ 3,967 bilhões. No conceito ajustado, o lucro ficou em R$ 2,424 bilhões, queda de 23,8% em um ano e de 7,1% ante o terceiro trimestre.   O lucro líquido ajustado veio abaixo da expectativa de analistas do mercado. A média de sete casas consultadas pelo Broadcast (BofA Merrill Lynch, Credit Suisse, Deutsche Bank, GBM, HSBC, Safra e UBS) apontava para lucro líquido recorrente de R$ 2,593 bilhões. O resultado apresentado foi 6,5% menor.

Crédito. A carteira de crédito ampliada do banco, que inclui títulos privados e garantias prestadas, encerrou dezembro em R$ 692,915 bilhões, alta de 6,2% ante setembro e de 19,3% em um ano. Os destaques do período, conforme relatório da instituição que acompanha suas demonstrações financeiras, foram os empréstimos destinados às empresas, que registraram avanço em 12 meses de 19,5%, para R$ 323,247 bilhões, respondendo por 42,0% da carteira total da instituição. Ante setembro, a alta foi de 7,1%.

Já o crédito para pessoa física somou R$ 168,069 bilhões, alta de 10,6% em 12 meses e de 2,5% em relação a setembro, com participação de 26,9%. Ao final de 2013, o BB voltou a ampliar sua participação em crédito no sistema financeiro nacional, que passou de 20,7% em setembro para 21,1% em dezembro.

Os ativos do Banco do Brasil foram a R$ 1,304 trilhão ao final de dezembro último, montante 13,5% maior que o apresentado em um ano, de R$ 1,149 trilhão, favorecido pela expansão da carteira de crédito, conforme o banco.

O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (RSPL) no conceito ajustado do BB ficou em 14,2% ao final de dezembro ante 21,2% registrado em 12 meses. O banco também divulgou retorno de 18,0% no período de referência contra 27,0% em um ano.

O BB encerrou o quarto trimestre com patrimônio líquido médio de R$ 72,225 bilhões. A cifra é 17,4% superior ao mesmo período de 2012, de R$ 61,499 bilhões.  

Perspectiva. Em linha com as perspectivas de mercado, a instituição divulgou uma projeção mais conservadora para o crescimento da sua carteira de crédito ampliada, que inclui títulos e avais, neste ano que deve ser de no mínimo 14% e no máximo de 18%. No ano passado, a faixa ia de 17% a 21%.

O maior crescimento do crédito em 2014 deve vir, conforme o BB, do segmento do agronegócio. O banco espera que os empréstimos para este fim avancem entre 18% e 22% neste ano. O intervalo projetado, porém, é inferior ao do ano passado que indicava para avanço de no mínimo 24% e no máximo 28%. Ao longo de 2013, esta estimativa foi revisada para cima por duas vezes. A inicial ia de 13% a 17%.

Para a pessoa jurídica, o Banco do Brasil espera crescimento de 14% a 18% em 2014, projeção mais tímida que a divulgada para o ano passado, de 18% a 22%. Na pessoa física, a instituição projeta avanço de 12% a 16%, também mais conservadora que a divulgada para 2013, de 14% a 18%. O intervalo de projeção de aumento dos empréstimos para pessoas físicas foi revisado por duas vezes para baixo no ano passado. O inicial indicava expansão de 18% a 22%.

O BB espera que o indicador de PCLD (gastos com provisões para devedores duvidosos acumulados em 12 meses divididos pela carteira de crédito) fique entre 2,7% e 3,1% em 2014, praticamente idêntico ao projetado para o ano passado, de 2,7% a 3,0%. Ao estimar o retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado (RSPL), porém, o banco foi mais conservador. A instituição projeta que o indicador fique entre 12% e 15% em 2014 contra projeção de 14% a 17% em 2013.

Inadimplência. A qualidade dos ativos do Banco do Brasil piorou no quarto trimestre ante o terceiro, em linha com a expectativa de analistas do mercado. O índice de inadimplência, considerando os atrasos acima de 90 dias, passou 1,97% em setembro para 1,98% em dezembro. Em um ano, entretanto, houve melhora de 0,1 ponto porcentual.

Caso seja desconsiderada a carteira do banco Votorantim, o índice de inadimplência do BB seria de 1,82%, também superior ao indicador de setembro, de 1,78%. O indicador de calotes do sistema financeiro nacional, conforme o BB, está 3,00%. Portanto, considerando as operações do Votorantim ou não, o índice de inadimplência do BB está menor que o do mercado.

As despesas com provisões para devedores duvidosos do BB, chamadas de PCLD pela instituição, foram a R$ 4,188 bilhões no quarto trimestre do ano passado, crescimento de 15,2% em um ano e de 7,0% em relação ao terceiro trimestre. No acumulado de 12 meses, esses gastos somaram R$ 15,6 bilhões, cifra 6,5% e 3,7% maior, respectivamente e na mesma base de comparação.

O saldo de provisões para PCLD do Banco do Brasil foi a R$ 23,662 bilhões ao final de dezembro, alta de 7% ante setembro. Na comparação com 12 meses, houve incremento de 11,6%.

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