Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Lucro do Bradesco cai 7,6% e vai a R$ 4,1 bilhões no 2º trimestre

Com piora do cenário, banco reduziu as previsões para carteira de crédito e empréstimos e aumentou a estimativa de despesas com provisões para devedores duvidosos

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2016 | 07h56

SÃO PAULO - O lucro líquido contábil do Bradesco totalizou R$ 4,134 bilhões no segundo trimestre, montante 7,6% inferior ao registrado em igual intervalo do ano passado, de R$ 4,473 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, porém, foi identificada elevação de 0,3%. No conceito ajustado, o resultado do Bradesco foi de R$ 4,161 bilhões, também queda de 7,6%. No comparativo trimestral, contudo, subiu 1,2%.

O resultado veio em linha com a projeção de analistas. A cifra foi 1,24% menor do que a de R$ 4,186 bilhões indicada pela média da projeção de 15 casas consultadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, (Deutsche Bank, Goldman Sachs, BTG Pactual, Credit Suisse, Bank of America Merrill Lynch, Brasil Plural, Citi, JP Morgan, Morgan Stanley, UBS, Safra, Santander, Votorantim e duas casas que preferiram não ser identificadas).

A diferença entre o lucro líquido contábil e ajustado se deu, conforme explica o banco em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, por passivos contingentes. O resultado ajustado do segundo trimestre no comparativo com o primeiro, segundo a instituição, reflete a queda, nesse período, das despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, devido ao impacto do agravamento de rating de um caso específico de cliente corporativo entre janeiro e março. O banco não revelou o nome do cliente, mas seria, segundo analistas, a Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial. Esse caso, conforme o Bradesco, teve efeito de R$ 365 milhões no segundo trimestre, depois do impacto de R$ 836 milhões no período anterior.

O banco tinha exposição US$ 415,6 milhões (R$ 1,463 bilhão) à Sete Brasil como credor, conforme planilha de credores obtida pelo Broadcast, mas também tinha participação como sócio da empresa.

No semestre, o lucro líquido ajustado do Bradesco foi a R$ 8,274 bilhões, retração de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 8,778 bilhões.

A carteira de crédito encerrou junho em R$ 447,492 bilhões, cifra 3,4% menor em relação ao mesmo mês do ano passado, de R$ 463,406 bilhões. No comparativo trimestral, quando estava em R$ 463,208 bilhões, foi registrada a mesma variação de queda. O encolhimento da carteira foi ditado, principalmente, pelos empréstimos às pessoas jurídicas, que diminuíram 6,7% em um ano e 5,3% em relação ao primeiro trimestre, para R$ 298,573 bilhões. Na contramão, o crédito à pessoa física cresceu 3,8% e 0,8%, respectivamente e na mesma base de comparação, totalizando R$ 148,919 bilhões.

Calotes. O índice de inadimplência do Bradesco, considerando atrasos superior a 90 dias, encerrou junho em 4,64%, piora de 0,4 ponto porcentual em relação a março, quando estava em 4,22%. Em um ano, quando estava em 3,7%, o indicador teve piora de 0,9 p.p.

Na grande empresa, a inadimplência, com atrasos acima de 90 dias, foi a 0,79% em junho, ante 0,43% em março e 1,0% há um ano. Já na micro, pequena e média empresa, o indicador ficou em 7,18%, contra 6,66% e 4,9%, respectivamente. O calote na pessoa física passou de 5,50% em março para 5,79% em junho. Há um ano, estava em 5,0%.

A inadimplência de curto prazo do Bradesco, que considera atrasos de 15 a 90 dias, subiu de 4,77% ao final do primeiro trimestre para 5,25% no segundo. Em 12 meses, estava em 4,2%. Nas pessoas jurídicas, o calote de curto prazo foi a 4,57% em junho, ante 3,65% em março e 3,0% há um ano. Já na pessoa física, ficou em 6,14%, ante 6,36% e 5,9%, respectivamente.

As despesas com provisões para devedores duvidosos totalizaram R$ 5,024 bilhões no segundo trimestre, aumento de 41,5% em relação a um ano antes, quando somaram R$ R$ 3,550 bilhões. Em relação ao trimestre anterior, quando foram de R$ 5,448 bilhões, houve queda de 7,8%. No primeiro semestre, a despesas com PDDs do Bradesco totalizaram R$ 10,472 bilhões, aumento 46,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Projeções. O Bradesco revisou a maioria de suas projeções para o ano de 2016, com exceção das estimativas para a receita de prestação de serviços e de prêmios de seguros, como já era esperado por analistas do setor em meio à deterioração do cenário e da qualidade de ativos. A carteira de crédito expandida do banco, que inclui avais e fianças, deve ficar estável ou, na pior das hipóteses, encolher 4% em 2016. A estimativa anterior sinalizava aumento de 1% a 5%. O saldo ao final de junho somou R$ 447,492 bilhões, cifra 3,4% menor em um ano.

Os empréstimos às pessoas físicas devem crescer de 1% a 5% neste ano e não mais de 4% a 8%. Já o crédito à pessoa jurídica pode diminuir de 7% a 3%. A estimativa anterior sinalizava estabilidade ou, na melhor das hipóteses, alta de 4%.

O Bradesco espera que suas despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, somem de R$ 18,0 bilhões a R$ 20,0 bilhões neste ano, e não mais de R$ 16,5 bilhões a R$ 18,5 bilhões. 

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