Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Lucro do Itaú Unibanco cai 8,9% e soma R$ 5,6 bi no 3º trimestre

Resultado marca o terceiro trimestre consecutivo de queda no resultado recorrente do banco privado

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2016 | 07h57

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco reportou lucro líquido de R$ 5,595 bilhões no terceiro trimestre deste ano, redução de 8,9% em relação ao mesmo período de 2015, de R$ 6,144 bilhões. Na comparação com os três meses anteriores, quando ficou em R$ 5,575 bilhões, foi registrado leve aumento de 0,4%.

Esse é o terceiro trimestre consecutivo de queda no resultado recorrente do Itaú. Desde o trimestre anterior, o banco passou a consolidar os números da companhia resultante da união entre o Banco Itaú Chile e o CorpBanca, o Itaú CorpBanca.

"Os principais efeitos positivos do período em relação ao trimestre anterior foram os crescimentos de 5,9% da margem financeira com clientes, e de 15,0% da margem financeira com o mercado, além da redução de 2,7% das despesas de provisões para créditos de liquidação duvidosa", destaca o Itaú, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras. Em contrapartida, conforme o banco, tais efeitos foram parcialmente compensados pelo crescimento de 8,4% das despesas não decorrentes de juros.

A carteira de crédito total do Itaú Unibanco, que considera avais e fianças, fechou setembro em R$ 567,744 bilhões, queda de 0,9% em relação a junho, quando somou R$ 573,003 bilhões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando estava em R$ 641,773 bilhões, a cifra foi 11,54% menor. Se levado em conta ainda títulos privados foi a R$ 656,928 bilhões, alta de 0,52% e queda de 8,27%, respectivamente. Sem considerar o efeito cambial, encolheu 1,1% e 5,6%, nesta ordem.

O Itaú encerrou setembro com R$ 1,399 trilhão em ativos totais, queda de 3,03% em um ano, quando estava em R$ 1,443 trilhão. Na comparação com junho, quando estava em R$ 1,396 trilhão, houve aumento de 0,2%.

Seu patrimônio líquido alcançou R$ 114,715 bilhões de julho a setembro, aumento de 11,0% em 12 meses e 3,7% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) foi a 19,9% no terceiro trimestre contra 20,6% no segundo. Em um ano, estava em 24,1%.

Inadimplência. A inadimplência total do Itaú Unibanco, considerando atrasos acima de 90 dias, fechou setembro em 3,9%, piora de 0,3 ponto porcentual em relação ao indicador registrado ao término de junho, de 3,6%. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando estava em 3,0%, houve aumento de 0,9 p.p.

No Brasil, o indicador atingiu 4,8% no terceiro trimestre contra 4,5% e 3,8% um ano antes. Em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, o Itaú explica que o aumento foi concentrado em um grupo econômico do segmento de grandes empresas, que já estava com o saldo de crédito 100% provisionado em junho de 2016. O banco não revela o nome do cliente, mas, segundo fontes, seria a Sete Brasil, que está em recuperação judicial.

A inadimplência da pessoa física foi a 5,7% no terceiro trimestre, queda de 0,2 p.p. Já o indicador de atrasos de grandes empresas passou de 1,6% ao final de junho para 2,8% ao término de setembro. Em um ano, estava em 1,5%.

Na pequena e média empresa, a inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 6,3% no terceiro trimestre contra 6,0% no segundo. Em 12 meses, estava em 4,2%.

Provisões. As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDDs) do Itaú encerraram setembro em R$ 6,169 bilhões no terceiro trimestre, montante 2,9% maior em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 5,997 bilhões. Em relação ao segundo, quando esses gastos totalizaram R$ 6,337 bilhões, recuou 2,7%.

Nos primeiros nove meses de 2016, o resultado de créditos de liquidação duvidosa do Itaú foi a R$ 17,568 milhões, alta de 24,5% em relação ao mesmo período de 2015. "Esse aumento ocorreu principalmente em função das maiores despesas de provisão para créditos de liquidação duvidosa, que somaram R$ 20,330 bilhões no período, principalmente devido ao reforço do provisionamento para grupos econômicos específicos, em função do cenário econômico desafiador", explica o Itaú, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

O saldo de PDDs do banco alcançou R$ 39,103 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 8,1% em um ano, quando estava em R$ 36,179 bilhões. Na comparação com o segundo trimestre, de R$ 38,470 bilhões, cresceu 1,6%. 

Projeções. O Itaú Unibanco reiterou as projeções para 2016, que já consideram a consolidação do Itaú CorpBanca. A carteira de crédito do Itaú, no conceito consolidado e que leva em conta avais, fianças e títulos privados, deve encolher de 10,5% a 5,5% neste ano em relação a 2015.

As despesas de provisões para créditos de liquidação duvidosa líquidas de recuperação de créditos do Itaú no conceito consolidado devem alcançar de R$ 23 bilhões a R$ 26 bilhões neste ano.

Para a margem financeira com clientes, o Itaú projeta queda de 2,5% até aumento de 0,5% neste ano. Já as receitas com serviços e seguros do Itaú devem crescer de 4,0% a 7,0% neste ano em relação a 2015.

As despesas não decorrentes de juros podem aumentar de 2,0% a 5,0% em 2016 ante o ano anterior.

Resultado Brasil. Para os resultados Brasil, que inclui unidades externas com exceção das localizadas na América Latina, o Itaú projeta retração de 11,0% a 6,0% em suas operações de crédito neste ano.

O Itaú espera que as despesas de provisões para créditos de liquidação duvidosa líquidas de recuperação de créditos no resultado Brasil, fiquem entre R$ 21,0 bilhões e R$ 24,0 bilhões neste ano. Espera ainda que suas receitas com serviços e seguros tenham expansão de 4,5% a 7,5% neste exercício.

As despesas não decorrentes de juros do Itaú, considerando os resultados Brasil, devem crescer de 2,5% a 5,5% em 2016. 

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