Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Lucro do Itaú Unibanco cai 9,58% e vai a R$ 5,2 bilhões no primeiro trimestre

Despesas de provisão para calotes crescem 18,2% nos três primeiros meses do ano, para R$ 7,2 bilhões, 'em função do cenário econômico desafiador', explica o banco

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2016 | 07h53

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco anunciou lucro líquido de R$ 5,184 bilhões no primeiro trimestre, cifra 9,58% menor que a vista no mesmo intervalo do ano passado, de R$ 5,733 bilhões. Em relação aos três meses anteriores, de R$ 5,698 bilhões, o montante foi 9,02% inferior.

O resultado veio em linha com as estimativas do mercado. A média de seis casas (Deutsche, Goldman Sachs, BTG, Citi, Safra e UBS) consultadas pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, indicava montante de R$ 5,214 bilhões no período de referência.

Apesar da queda do lucro no período, conforme explica o Itaú em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, os principais efeitos positivos no comparativo trimestral foram o crescimento de 36,9% da margem financeira com o mercado (tesouraria) e a redução de 8,1% das despesas não decorrentes de juros. "Em contrapartida, foram mais que compensados pelo crescimento de 18,2% das despesas de provisão para créditos de liquidação duvidosa e a redução de 44,0% nas receitas com recuperação de créditos baixados como prejuízo", explica o banco, no documento.

Aumento de calotes. As despesas com provisões para devedores duvidosos do Itaú, as chamadas PDDs, totalizaram R$ 7,231 bilhões de janeiro a março, cifra 18,2% maior ante o trimestre anterior de R$ 6,116 bilhões. O aumento de R$ 1,115 bilhão ocorreu, conforme explica o banco, devido em parte ao "reforço da provisão genérica para grupos econômicos específicos, em função do cenário econômico desafiador". Na divisão por segmento, a despesa com PDD do atacado do Itaú aumentou em R$ 1,413 bilhão de dezembro para março enquanto a do varejo reduziu em R$ 298 milhões.

O banco não cita nome de clientes. Na sexta-feira passada, a Sete Brasil entrou com pedido de recuperação judicial. O Itaú tem a segunda maior exposição à empresa entre os grandes bancos, conforme documento obtido pelo Broadcast, com um total de quase US$ 563 milhões (R$ 1,982 bilhão).

De acordo com o diretor de Relações com Investidores do banco, Marcelo Kopel, o egmento empresarial de óleo e gás é um dos quais o Itaú Unibanco elevou suas provisões para devedores duvidosos no atacado. O maior colchão feito no primeiro trimestre, segundo ele, diz respeito a várias e não apenas a uma grande companhia. 

O índice de inadimplência do Itaú Unibanco, considerando atrasos acima de 90 dias, subiu 0,4 ponto porcentual em março ante dezembro, para 3,9%. Em um ano, quando estava em 3,0%, o indicador teve piora de 0,9 p.p. O aumento dos calotes no período foi impulsionado, principalmente, pelas pessoas jurídicas, cujo indicador acima de 90 dias cresceu 0,5 p.p., de 1,9% em dezembro para 2,4% em março. Em 12 meses, o aumento foi de 0,6 p.p. Já a inadimplência das pessoas físicas foi a 5,6% no primeiro trimestre ante 5,4% no trimestre anterior e 4,5% em um ano.

A carteira de crédito total do Itaú Unibanco, que inclui avais, fianças e títulos privados, encerrou março em R$ 554,252 bilhões, queda de 5,3% ante dezembro, quando ficou em R$ 585,504 bilhões. Em relação a março de 2015, quando estava em R$ 578,596 bilhões, foi identificada retração de 4,2%. Sem considerar o efeito cambial, encolheu 3,5% e 5,5%, nesta ordem.

O Itaú Unibanco alcançou R$ 1,283 trilhão em ativos totais no final de março, declínio de 0,9% em um ano, quando estava em R$ 1,295 trilhão. Em relação a dezembro, quando somaram R$ 1,359 trilhão, recuou 5,6%.

O patrimônio líquido do banco alcançou R$ 106,647 bilhões nos três primeiros meses de 2016, alta de 10,0% em 12 meses e 0,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) foi a 19,7% no primeiro trimestre contra 22,0% no quarto. Em um ano, estava em 24,2%, queda de 4,5 pontos porcentuais.

Resultado recorrente. O Itaú reportou ainda lucro líquido recorrente de R$ 5,235 bilhões no primeiro trimestre, recuo de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 5,808 bilhões. Na comparação com os três meses anteriores, quando o resultado foi de R$ 5,773 bilhões, foi registrada queda de 9,3%. A última vez que o Itaú Unibanco havia reportado queda no lucro recorrente no trimestre foi nos três primeiros meses de 2013. Na ocasião, o resultado encolheu 0,9%, para R$ 3,512 bilhões ante a cifra de R$ 3,544 bilhões vista um ano antes. 

Dentre os eventos não recorrentes no primeiro trimestre ante um ano, o Itaú cita, em relatório, constituição de provisões fiscais e previdenciárias e para perdas decorrentes de planos econômicos, amortizações de ágio por conta de aquisições feitas e ainda efeitos da adesão ao programa de pagamento ou parcelamento de tributos federais e tributos municipais.

O retorno (ROE) recorrente do Itaú ficou em 19,9% ao final de março contra 22,3% ao término de dezembro. No primeiro trimestre de 2015 estava em 24,5%.

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