Lucro do Santander cai 16,8% no Brasil

No mundo, o espanhol Santander teve queda de 24% no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, para € 1,60 bilhão

Danielle Chaves e Fátima Laranjeira, da Agência Estado,

26 de abril de 2012 | 08h18

O Banco Santander Brasil registrou lucro líquido de R$ 1,723 bilhão no primeiro trimestre de 2012, o que representa uma queda de 16,8% ante os R$ 2,071 bilhões registrados em igual período de 2011, conforme formulário de referência disponível no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os ativos totais consolidados da instituição somaram de R$ 395,940 bilhões queda de 0,9% ante os R$ 399,886 bilhões do final do ano passado.

A carteira de crédito total do Santander Brasil atingiu R$ 196,836 bilhões, alta de 19,6% em 12 meses e de 1,4% no trimestre. Segundo a instituição, a estratégia de expansão do crédito permanece amparada pelos segmentos de maior rentabilidade: pessoa física e pequenas e médias empresas.

O patrimônio líquido do banco somou R$ 79,452 bilhões, alta de 1,8% frente a dezembro, quando era de R$ 78,032 bilhões. O Índice de Basileia foi de 24% no primeiro trimestre, redução de 0,8 ponto porcentual no trimestre e de 4,8 pontos em doze meses.

A inadimplência subiu, passando de 6,7% em dezembro de 2011 para 7,6% no final de março, "o que reflete em grande arte os efeitos sazonais do início do ano", de acordo com relatório de comentários de desempenho do período, disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Mundo

No mundo, o espanhol Santander teve queda de 24% no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, para € 1,60 bilhão, de € 2,11 bilhões no mesmo período do ano passado. O resultado ficou levemente abaixo da previsão dos analistas de € 1,64 bilhão. A renda líquida de juros cresceu quase 11%, para € 7,82 bilhões, pouco acima da estimativa de € 7,73 bilhões. Às 6h30 (de Brasília), as ações do Santander caíam 4,23% na Bolsa de Madri.

Os resultados foram pressionados por um aumento de 51% nas provisões contra perdas com crédito. O banco separou € 3,13 bilhões para cobrir dívidas inadimplentes, principalmente em consequência das condições econômicas fracas na Espanha e em Portugal. As provisões também subiram na América Latina, onde o Santander ampliou os empréstimos e teve de separar capital para potenciais perdas.

O volume de empréstimos inadimplentes subiu para € 32,56 bilhões até março, de € 28,49 bilhões um ano antes, e representou 3,98% dos empréstimos totais do banco. Apenas duas unidades do Santander registraram lucros maiores no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado: a unidade do México e a unidade de financiamento ao consumo.

Na Espanha, onde o Santander tem cerca de um quarto de seus ativos, a prolongada desaceleração econômica está prejudicando os resultados e o país contribuiu com apenas 12% do lucro do banco no primeiro trimestre. A América Latina continuou sendo a principal fonte de ganhos, com o Brasil contribuindo com 27%, o México com 13% e o Chile com 6%.

O lucro total do Santander gerado na América Latina caiu 4%, para € 1,22 bilhão. Na Europa - o que inclui Espanha, Portugal, Alemanha e Polônia - o lucro diminuiu 34%, para € 584 milhões. O Reino Unido contribuiu com € 306 milhões, uma queda de 39%, e os EUA forneceram € 240 milhões, uma queda de 17%.

Inadimplência

O índice de inadimplência do Banco Santander superior a 90 dias foi de 4,5% no primeiro trimestre deste ano, 0,5 ponto porcentual acima do registrado em igual período do ano passado e estável em relação ao quatro trimestre de 2011 (4,0%). Os dados constam do balanço divulgado pelo banco no padrão BR Gaap

O índice de inadimplência superior a 60 dias foi de 5,7% de janeiro a março, 0,7 ponto porcentual acima do primeiro trimestre do ano passado e 0,2 ponto acima dos últimos três meses de 2011.

A despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa, líquida das receitas com recuperação de créditos baixados para prejuízo, somou R$ 3,091 bilhões no primeiro trimestre alta de 44,3% ante os R$ 2,142 bilhões do mesmo intervalo de 2011. Segundo o documento Comentários de Desempenho, divulgado no site da CVM, o saldo de provisões para créditos de liquidação duvidosa representa 6,0% da carteira de crédito em março de 2012, comparado a 5,7% no mesmo mês de 2011.

Na avaliação do presidente do banco, Marcial Portela, as taxas de inadimplência do Santander podem subir mais no segundo trimestre. O executivo acredita que o indicador deve atingir estabilidade ou até começar a cair a partir do terceiro trimestre deste ano. "Em termos de inadimplência e provisões, estamos na mesma direção que o mercado", disse Portela, destacando que os principais concorrentes do Santander também estão aumentando provisões para perdas com crédito ante a alta dos calotes.

O executivo destaca que um dos indícios da tendência de alta da inadimplência é que a taxa de calotes para períodos mais curtos (acima de 60 dias) subiu no primeiro trimestre. O aumento das taxas de calotes para períodos menores foi puxado pela carteira de empresas, que subiu de 2,9%, em dezembro, para 3,2% em março. Na pessoa física, ficou estável, em 8,4%.

Portela avalia que o segundo semestre deste ano deverá ter economia mais aquecida e, por isso, ser bem melhor que o primeiro período e ajudar os negócios do banco.

 

 

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