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Lucro dos bancos privados cresce 18%, apesar de gasto maior para prevenir calotes

Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander tiveram resultado líquido contábil de R$ 11,6 bilhões no 1º trimestre

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2015 | 10h04

A expectativa de aumento de provisões para devedores duvidosos nos grandes bancos, as chamadas PDDs, se confirmou no primeiro trimestre. Esse movimento ocorreu em meio a um maior pedido de recuperações judiciais e da revisão de ratings de grandes empresas, a reboque da Operação Lava Jato. As provisões são reservas feitas pelos bancos para proteger o patrimônio de futuras perdas relacionadas a empréstimos concedidos. 

O aumento dessas despesas e a piora sazonal da inadimplência de curto prazo na pessoa física não impediram, contudo, que os bancos privados mantivessem o crescimento do lucro na casa de dois dígitos no primeiro trimestre, como já esperavam analistas do mercado. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander tiveram resultado líquido contábil de R$ 11,6 bilhões no período, cifra 18% superior à registrada no mesmo intervalo do ano passado. No critério ajustado, o lucro foi a R$ 10,76 bilhões, alta de 17,3%.

Contaram a favor dos grandes bancos privados as margens financeiras melhores tanto com clientes, por juros maiores, como com o mercado, que reflete as operações de tesouraria, receitas de serviços e tarifas crescentes. Essa continuou sendo a tônica de crescimento na pessoa física, com consignado (com desconto em folha) e imobiliário entre os destaques do trimestre.

O grande impulso para a carteira em geral veio, principalmente, das grandes empresas, que têm renegociado dívidas em um cenário afetado não só por Lava Jato, mas também pelas condições macroeconômicas. O Santander foi o que mais cresceu em crédito no primeiro trimestre, com avanço de 4,60% ante o trimestre anterior e 18,0% no ano. Itaú, que divulgou resultados na terça-feira, apresentou crescimentos de 3,40% e 13,80%, respectivamente. O Bradesco teve a menor expansão, de 1,8% no trimestre e 7,2%, mas decidiu manter as projeções.

Do lado dos calotes, considerando os atrasos acima de 90 dias, ainda foi vista melhora, com exceção do Bradesco, mas analistas demonstraram preocupação com a qualidade dos ativos. O alerta vem como consequência de um forte reforço nas provisões e uma inadimplência de curto prazo acima do previsto. O saldo de PDDs de Itaú, Bradesco e Santander subiu 2,1% no primeiro trimestre ante o quarto, para cerca de R$ 66 bilhões. Em 12 meses, a expansão foi de 7,4%. Como consequência, as despesas com provisões aumentaram quase 9% e 15%, respectivamente.

O crescimento poderia ter sido maior não fosse a colheita de frutos um pouco mais tardia por parte do Santander, devido à mudança de mix e priorização de segmentos de menor risco. Já o Itaú conseguiu reduzir os calotes pelo 11º trimestre, mas elevou sua expectativa para os gastos com PDDs no ano. O banco espera que essas despesas fiquem entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, e não mais de R$ 13 bilhões a R$ 15 bilhões.

Expectativa. Não foram somente as previsões para PDDs que o banco revisou. Todas as expectativas para 2015, que haviam sido divulgadas no início do ano, foram alteradas. Crédito deve crescer de 3% a 7%, e não mais de 6% a 9%. Gastos operacionais devem crescer mais que o previsto, mas receitas e as margens devem ser mais fortes neste ano. À imprensa, Marcelo Kopel, diretor de Relações com Investidores do Itaú Unibanco, explicou que a revisão do cenário macroeconômico no Brasil obrigou o banco a revisar suas projeções.

"Quando divulgamos a expectativa original, o cenário macro era razoavelmente diferente do que tem hoje e tínhamos algum crescimento da economia, mesmo que baixo. Como mudou no primeiro trimestre, tivemos de acessar novamente nossas premissas e fazer mudanças", explicou ele, em teleconferência, descartando novas revisões ao longo de 2015.

Os grandes bancos mantiveram retornos sobre o patrimônio líquido médio (ROE) elevados no primeiro trimestre, com melhora por parte de Itaú e Santander. O Bradesco teve leve queda, mas acredita que consegue chegar ao fim do ano com rentabilidade acima dos 20%. Analistas do mercado temem, porém, que a combinação de provisões maiores e crédito crescendo pouco sejam uma ameaça para o retorno dos grandes bancos. Para Marcelo Telles, Daniel Magalhães, Victor Schabbel e Alonso García, do Credit Suisse, a temporada de revisões de lucros para cima está chegando ao fim. 

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