Lucro em 2008 reabre apetite da Eletrobrás por distribuição

Para presidente, é possível que novas empresas estaduais sejam incorporadas, como a de Roraima e do Amapá

REUTERS

30 de março de 2009 | 17h45

O bom desempenho das distribuidoras de energia federalizadas que foram incorporadas ao balanço da Eletrobrás no ano passado surpreendeu a estatal, que agora planeja desenvolver o segmento que abandonou com a privatização promovida pelo governo anterior.

Na avaliação do presidente da Eletrobrás, holding responsável pela maior parte da geração de energia do país, José Antonio Muniz Lopes, a tendência é crescer na distribuição e é possível que novas empresas estaduais sejam incorporadas, como a de Roraima e do Amapá.

"Não passa pela nossa cabeça vender nenhuma dessas empresas (federalizadas), a distribuição é um negócio da Eletrobrás e trabalhamos com a hipótese de ganhar muito dinheiro com essas empresas", disse Muniz a jornalistas durante evento para detalhar o balanço 2008 da estatal, que registrou lucro de 6,1 bilhões de reais ajudado pela melhora de desempenho das empresas federalizadas.

Fora do programa de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso por se tratarem de ativos pouco atraentes para a iniciativa privada, as distribuidoras do Acre, Rondônia, Amazonas, Piauí, Alagoas e Roraima ficaram com a Eletrobrás para serem saneadas e vendidas. Com a mudança de governo, a privatização foi suspensa.

Deficitárias até 2007, as distribuidoras deram juntas lucro de 53 milhões de reais em 2008, contra prejuízo de 1,1 bilhão de reais em 2007. De acordo com Muniz, o bom resultado foi decorrência da decisão da Eletrobrás de implantar uma gestão integrada, que reduziu o número de diretores e profissionalizou as empresas, entre outras medidas.

"Trocamos dezenas de diretores por sete diretores e apenas um conselho de administração, implantamos uma direção profissional", explicou Muniz.

"Vocês precisavam ver a reação dos senadores, governadores, deputados quando colocamos só profissionais, sem indicação política... foi duro", complementou.

Com a casa arrumada, Muniz agora pensa em expandir a área de distribuição da Eletrobrás, trazendo para o mesmo esquema as empresas estaduais do Amapá e Roraima.

"Vamos expandir as empresas que estão aí e trazer outras", prometeu Muniz.

A CEA, do Amapá, deve 560 milhões de reais à Eletrobrás referente a compra de energia.

"Não podemos cortar a energia do Estado, temos que buscar uma solução", disse o executivo, admitindo que estuda a incorporação da companhia para o pagamento do débito.

Já a CER, de Roraima, que atende o interior --a capital é atendida pela Eletronorte-- deve há 12 anos à estatal, hoje uma conta de 20 milhões de reais.

"Não tenho dúvida que as duas (capital e interior) serão unificadas, estamos estudando uma solução", afirmou, ressaltando que qualquer empresa que seja incorporada virá "sem ônus" para a Eletrobrás, que foi obrigada a sanear as seis distribuidoras federalizadas.

Outra que também pode entrar na mira da holding é a Celg, distribuidora de Goiás, objeto de estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O BNDES está estudando a modelagem, e a Eletrobrás vai participar quando for convocada, é um bom negócio e se vier virá com a CER e a CEA, sem ônus", explicou Flávio Decat, gestor das seis empresas federalizadas.

(Por Denise Luna)

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