Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Com aumento de crédito e controle de gastos, lucro do Santander avança 30% no 2º tri

Lucro líquido do maior banco estrangeiro do País alcançou R$ 3 bi entre março e junho de 2018; Brasil respondeu por 26% de todo o lucro do conglomerado espanhol no 1º semestre

Aline Bronzati e Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2018 | 09h01
Atualizado 25 de julho de 2018 | 13h09

JOHANESBURGO E SÃO PAULO -- Uma combinação entre crescimento robusto do crédito e um maior controle das despesas operacionais, incluindo provisões para calotes, impulsionaram o lucro do Santander Brasil no segundo trimestre de 2018.

O maior banco estrangeiro abriu nesta quarta-feira, 25, a temporada de divulgação de resultados das grandes intituições financeiras referente ao período de abril, maio e junho com um lucro recorrente de R$ 3,025 bilhões, montante 29,6% maior do que os R$ 2,335 bilhões de igual etapa de 2017.

O lucro recorrente, também chamado de lucro gerencial, é aquele que exclui todos os fatores extraordinários da operação, como por exemplo a compra de uma nova empresa, os gastos indenizatórios de um processo judicial no período e por assim em diante.

Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, quando ficou em R$ 2,859 bilhões, o lucro da instituição foi 5,4% superior. Com o desempenho, o banco renovou o patamar recorde em termos de resultado apresentado no País.

Carteira de crédito

A carteira de crédito do Santander no Brasil fechou junho com salto total de R$ 368,245 bilhões, alta de 4,0% em relação ao término de março, quando estava em R$ 353,920 bilhões. Em um ano, quando estava em R$ 325,014 bilhões, foi registrado incremento de 13,3%.

"Apesar do cenário macroeconômico em lenta recuperação, fomos capazes de apresentar um crescimento anual da carteira de crédito pelo sexto trimestre consecutivo, com indicadores de qualidade em patamares controlados. Isso impulsionou nossa margem de crédito, que somado à boa dinâmica de comissões, colaboraram para a expansão consistente de nossas receitas totais", destaca o Santander, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

Ao final de junho, os ativos totais do banco alcançaram R$ 739,071 bilhões, com expansão de 13,2% em 12 meses. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, foi registrada elevação de 2,0%.

O patrimônio líquido do Santander Brasil foi a R$ 62,529 bilhões no segundo trimestre, com aumento de 1,9% em relação ao primeiro e de 4,9% em um ano. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do banco, ajustado pelo ágio, era de 19,5% ao final de junho, acima dos 19,1%, registrados no primeiro trimestre, renovando, assim, o patamar recorde em termos de rentabilidade.

Lucro ajustado

No lucro societário, também conhecido como lucro contábil, que leva em conta ágio de aquisições feitas pelo banco e todos os demais fatores extraordinários, o resultado do Santander Brasil no segundo trimestre foi de R$ 2,972 bilhões, crescimento de 58,17% na comparação com 12 meses, de R$ 1,879 bilhão. Ante os três meses anteriores, quando somou R$ 2,820 bilhão, a alta foi de 5,4%.

Com o desempenho do segundo trimestre, o Santander Brasil respondeu pela geração de 26% de todo o lucro do conglomerado espanhol no primeiro semestre deste ano. A fatia é idêntica à vista em igual período do ano passado. A marca de 26% também foi registrada para todo o ano passado ante fatia de 21% verificada em 2016.

Otimismo

O CEO do Grupo Santander, José Antonio Álvarez, apresentou uma avaliação positiva para o banco no Brasil, que vem se consolidando trimestre a trimestre nos últimos anos como a praça a apresentar os melhores resultados para o conglomerado financeiro espanhol. "Estamos muito confiantes, apesar de deterioração do ambiente local", registrou ele, durante teleconferência com analistas realizada nesta manhã.

O lucro do grupo no primeiro semestre do ano foi de 3,752 bilhões de euros e as operações domésticas representaram 26% desse total, a maior fatia entre todas as unidades da instituição. "Temos dito que nossa filial no Brasil tem ganhado market share e acreditamos que isso vai continuar a acontecer", afirmou.

O executivo mencionou o desempenho das operações de crédito consignado e de cartão de crédito, como exemplos. Citou também que a área de varejo tem apresentado resultados melhores do que os previstos e que até a área de corporate, voltada a empresas, começou a apresentar bons resultados também.

Um dia depois de o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, se reunir com os presidentes dos cinco principais bancos do País, incluindo Sérgio Rial, do Santander, Álvarez comentou em Madri que o spread no Brasil é "relativamente" alto. Ele disse acreditar que a diferença entre os juros tomados pelos bancos no país e os ofertados aos clientes deverá ser reduzida, mas apenas no médio prazo.

 "Naturalmente, o spread é relativamente alto no Brasil", admitiu. Para ele, a tendência de baixa deve ser vista em um período de três a cinco anos, mas não no curto prazo. "O mais importante sobre o Brasil é que o banco é competitivo, e o market share, crescente", pontuou, acrescentando que a lucratividade da instituição no País também é relativamente alta, em torno de 20%.

Além da participação de Rial e de presidentes da Caixa, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco, o encontro com Ilan em São Paulo ontem contou também com a participação do presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal. De acordo com a agenda do presidente do BC, o assunto do encontro foi "temas estruturais e conjunturais do Sistema Financeiro Nacional".

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