Lucro líquido da Caixa deve ficar entre R$ 2 bi e R$ 2,5 bi em 2010

Segundo vice-presidente da instituição, valor ainda pode chegar aos R$ 3 bi registrados no ano passado

Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2010 | 18h48

A Caixa Econômica Federal espera ter em 2010 um lucro líquido entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões neste ano. Esse é o valor que consta do orçamento da instituição deste ano, mas o vice-presidente Marcos Vasconcellos acredita que a projeção pode ser superada devido à maior demanda por crédito. "O número pode ser maior, ficando em linha com os R$ 3 bilhões registrados em 2009", disse.

 

Embora a Caixa já tenha fechado o orçamento para este ano, uma revisão deverá ser feita em breve. Isso porque as concessões de crédito estão acima das projeções iniciais. A presidente Maria Fernanda Ramos Coelho informou que no caso do financiamento habitacional, o principal produto de crédito da instituição, o crescimento no ano, até 9 de fevereiro, está em 116%, acima dos 26,3% contemplados no orçamento para 2010.

 

A executiva informou que as operações nos demais segmentos, pessoa física e jurídica, também estão acima da projeção inicial, mas não detalhou como estão os desempenhos. "A nossa estratégia é impulsionar ainda mais o crescimento do crédito. Queremos ter um aumento expressivo na participação de mercado", disse. Em 2009, a Caixa ficou com uma fatia de 8,8% do total de crédito no sistema financeiro. A expectativa é superar os 9% neste ano.

 

A estratégia de crescimento, segundo Maria Fernanda, será baseada na baixa renda e por essa razão a instituição não pode perseguir o "lucro máximo", como em outras instituições financeiras. "Nosso mercado não permite isso. Trabalhamos mais com crédito direcionado, que possui taxas de juros regulamentadas", disse.

 

A Caixa estima que o crédito total deve crescer 28,2% em 2010, mas o número deverá ser revisto devido ao desempenho do setor habitacional no início do ano. A projeção média do mercado para todo o sistema financeiro está em torno de 20%.

 

Para atender a esse crescimento, a instituição planeja abrir 200 novas agências no decorrer do ano e atuar junto ao varejo. Para isso, espera receber contribuição do Panamericano, que tem cerca de 2,5 milhões de clientes nas diversas linhas de crédito ao consumo (a Caixa comprou participação no Panamericano no final do ano passado). A ideia é trazer para dentro do banco federal, como correntista, esses clientes do Panamericano.

 

A instituição considera ainda que, para atingir o crescimento no crédito esperado, possui um índice de Basileia confortável. Em dezembro, era de 17,5%. Segundo Vasconcellos, esse indicador permite expandir a carteira de crédito até R$ 230 bilhões ou R$ 240 bilhões. Em dezembro, o total de empréstimos era de R$ 124,371 bilhões. "Temos capital para expandir o nosso crédito em 2010 e 2011", disse.

 

O crescimento mais forte do crédito na Caixa em 2009 - avanço de 55,3% sobre 2008 - alterou também o perfil de ativos da instituição. Pela primeira vez desde a reestrutura feita na instituição em 2001, os ativos de crédito foram superiores ao total de títulos e valores imobiliários.

 

Inadimplência

 

A taxa de inadimplência da Caixa, considerando os atrasos superiores a 90 dias, caiu em 2009 para 3,4%, ante 4% no final de 2008. Nas operações para pessoas físicas, a redução foi de 0,8 ponto porcentual, para 5,2% e nas pessoas jurídicas, o índice de atrasos caiu de 2,2% para 1,8%. Só no financiamento habitacional houve uma ligeira evolução, passando de 1,75 para 1,8%.

 

O total de provisões para créditos de liquidação duvidosa chegou ao final de dezembro em R$ 8,855 bilhões, o equivalente a 7,1% do total das operações de crédito. Em dezembro de 2008, essas reservas eram equivalentes a 8,6% do crédito da instituição. "Essa redução no indicador reflete a melhora na qualidade da nossa carteira de crédito", disse Vasconcellos.

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