Lucro mundial da Volkswagen cai 80% em 2009

Montadora alemã aponta juros e volatilidade do câmbio como fatores que devem continuar prejudicando seu desempenho

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

26 de fevereiro de 2010 | 14h18

A Volkswagen informou nesta sexta-feira, 26, que seu lucro líquido caiu 80% em 2009, em comparação com o ano anterior, para 960 milhões de euros (US$ 1,3 bilhão). No entanto, a montadora alemã disse que prevê um crescimento das vendas de veículos, da receita e do lucro operacional em 2010.

"A receita e o lucro operacional em 2010 deverão exceder os números do ano anterior, apesar de uma mudança de volumes entre os mercados", destacou a maior montadora da Europa em vendas, em um comunicado divulgado após reunião do conselho de supervisão. A Volks acrescentou que os "juros e a volatilidade da taxa de câmbio continuarão a ser um entrave para o lucro."

O lucro operacional da montadora recuou 71%, para 1,86 bilhão de euros (US$ 2,52 bilhões) em 2009, enquanto o lucro antes dos impostos caiu 81%, para 1,26 bilhão de euros (US$ 1,71 bilhões) e a receita diminuiu 7,6%, para 105,2 bilhões de euros (US$ 143 bilhões).

Os analistas esperavam lucro líquido de 986 milhões de euros (US$ 1,34 bilhão), lucro operacional de 2,07 bilhões de euros (US$ 2,81 bilhões) e receita de 103,6 bilhões de euros (US$ 140,8 bilhões) em 2009.

Diante da queda do lucro, a Volkswagen propôs um corte no seu dividendo no ano passado. A montadora sugeriu um dividendo de 1,60 euro para cada ação ordinária, comparado com o dividendo de 1,93 euro em 2008. Para as ações preferenciais, a Volkswagen ofereceu um dividendo de 1,66 euro, abaixo do 1,99 euro de 2008.

O lucro líquido das divisões automotivas da Volkswagen foi de 10,6 bilhões de euros (US$ 14,4 bilhões) em 2009, acima do ganho líquido de 8 bilhões de euros registrado no ano anterior.

Emissão de ações

Nas próximas semanas, a companhia pretende divulgar os detalhes de sua planejada emissão de ações. Os investidores têm estado cautelosos em relação ao aumento de capital da Volks, que quer conquistar o lugar ocupado hoje pela Toyota como a maior montadora do mundo. A montadora prometeu também elevar sua lucratividade nos próximos anos.

O diretor-financeiro da companhia, Hans Dieter Poetsch, destacou este mês que a montadora "não é obrigada de nenhuma maneira" a usar o volume total de 135 milhões de ações preferenciais aprovado pelos acionistas. "Nós adaptaremos a medida" às necessidades da empresa, disse o executivo, acrescentando que assegurar o rating (classificação de risco) da montadora continua a ser sua prioridade durante a integração da Porsche. A fusão deverá ser completada em 2011.

Alguns analistas expressaram dúvidas de que a Volkswagen precisa levantar capital novo para resgatar a dívida da Porsche, dada sua musculatura financeira atual. O aumento de capital com ações ordinárias da Volks ameaçaria a participação votante da Baixa Saxônia, de pouco menos de 21%, o que lhe dá poder de bloquear decisões importantes. A Volkswagen vai divulgar os resultados detalhados do quarto trimestre do ano passado no dia 11 de março. As informações são da Dow Jones.

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