Leonardo Rodrigues/Estadão
Leonardo Rodrigues/Estadão

‘Lugar de gente feliz é aqui’, diz Abilio após comprar fatia no Carrefour Brasil

Rede francesa anunciou a entrada do empresário, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar, como sócio minoritário, com 10% da operação local; após pagar R$ 1,8 bilhão, Abilio Diniz terá dois assentos no conselho, mas não deverá participar diretamente da gestão

Mônica Scaramuzzo, Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 22h11

“Agora é Carrefour, lugar de gente feliz é aqui.” A frase é de Abilio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar (GPA), empresa fundada por seu pai, Valentim, em 1948, e hoje nas mãos do grupo francês Casino. Meses após sua saída definitiva do GPA, Abilio passou para o lado da concorrência. Na quinta, o também francês Carrefour, vice-líder no varejo brasileiro, confirmou que o empresário comprou 10% da subsidiária brasileira, por R$ 1,8 bilhão.

A aquisição foi feita pela Península, gestora de recursos da família Diniz, que tem participações em diversas empresas, como na gigante de alimentos BRF (dona de Sadia e Perdigão), da qual Abilio Diniz é presidente do conselho de administração, além de Anima Educação e Dufry (empresa que administra free shops em aeroportos). A Península tem R$ 10 bilhões sob gestão. Além de ser o novo sócio da operação brasileira, Abilio detém também 2,4% na operação global do Carrefour – e está entre os maiores acionistas minoritários do grupo francês.

O Carrefour, que pretende abrir o capital de sua subsidiária brasileira quando as condições de mercado estiverem mais favoráveis, buscava há alguns meses investidores para sua operação local. Embora o “namoro” entre o empresário e o Carrefour seja antigo – em 2011, o empresário tentou até promover uma fusão global envolvendo o Pão de Açúcar –, esta operação começou a ser desenhada em setembro. Pelo acordo, os atuais 10% de Abilio poderão virar 16% em cinco anos.

O Carrefour foi assessorado pelos escritórios de advocacia Pinheiro Neto, no Brasil, e Bredin Prat, na França, além da Ernst Young. Do lado de Abilio, estiveram o escritório Barbosa Müssnich & Aragão, o banco Itaú BBA e a PwC.

Poder. Como minoritário, Abilio não participará diretamente da gestão do Carrefour Brasil, mas terá 2 dos 11 assentos no conselho. Ele e o executivo Eduardo Rossi, hoje na Península, ocuparão as cadeiras. O empresário também participará de comitês estratégicos de expansão e de recursos humanos.

O Estado apurou que, além de Abilio, outros investidores foram procurados para entrar na operação do Carrefour Brasil, mas as negociações ainda não avançaram. Segundo fontes ligadas ao Carrefour, a assessoria financeira Estáter foi contratada para procurar potenciais sócios. Procurada, a Estáter não comentou o assunto.

Em conferência com jornalistas, Georges Plassat, presidente global do grupo, afirmou que havia outros interessados no Carrefour Brasil, dentro de plano da controladora de buscar investidores para acelerar sua expansão no País, mas o Carrefour se diz “perfeitamente feliz” com o investimento de Abilio Diniz no momento.

Prestes a completar 40 anos no País, o Carrefour tem 256 lojas, incluindo as bandeiras Atacadão, Supeco e as lojas de conveniência Carrefour Express. “Abílio tem o conhecimento do mercado e é um dos maiores especialistas em varejo do País. Estou convencido que Abilio fará um bom trabalho para melhorar o ‘management’ (direção) do Carrefour”, disse Plassat.

Expansão. O executivo disse que os planos de expansão de lojas do Carrefour no País não mudam com a entrada de Abilio. A meta atual é inaugurar 20 lojas novas em diferentes formatos entre junho de 2014 e junho de 2015. O Carrefour vai retomar suas operações de comércio eletrônico no Brasil no segundo semestre de 2015, três anos após encerrá-las.

Plassat afirma que o valor investido por Abilio na operação brasileira já caiu no caixa da matriz francesa, mas evitou dar detalhes sobre a aplicação do dinheiro. Já Abilio disse que o valor de R$ 1,8 bilhão foi “justo” e disse acreditar no potencial do negócio no “futuro próximo”.

O empresário tentou desassociar sua entrada no Carrefour, principal concorrente do GPA, como “revanche”. Antes de sair definitivamente do GPA, Abilio travou longa disputa com Jean-Charles Naouri, dono do Casino, que assumiu o controle da companhia em 2012. “Esse é um momento especial da minha vida profissional. Tudo o que ficou é passado.”

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