Lula admite erros na reestruturação da Chesf

Mudança no estatuto da Chesf pela Eletrobras, da qual é subsidiária, foi entendida como perda de autonomia da empresa e tem provocado polêmica

Angela Lacerda, da, Agência Estado

21 de abril de 2010 | 18h12

No mesmo dia em que a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) venceu o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no Rio Xingu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ter havido erros na elaboração da portaria de regulamentação da reestruturação da empresa. Ele admitiu a falha em entrevista ao Diário de Pernambuco, publicada na edição desta quarta-feira, 21, do jornal.

A mudança promovida no estatuto da Chesf pela Eletrobras, da qual é subsidiária, foi entendida como um esvaziamento e perda de autonomia da empresa e tem provocado polêmica e protestos por parte de um movimento "pró-Chesf" integrado pelo Instituto Ilumina, funcionários da empresa e políticos.

Na entrevista, Lula disse ter chamado o ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, na sexta-feira, para saber o que estava acontecendo. "Eu disse ao ministro que ele tem que resolver esta semana esse assunto porque é pouca coisa para a gente ficar brigando". O presidente disse ter pedido ao ministro para dar uma olhada. "Você pega um funcionário, não sei de que escalão, para fazer uma portaria. Talvez ele tenha colocado coisas exageradamente, que não precisava ter," disse Lula. "Isso, da nossa parte, nós vamos resolver, porque o que eu quero é que nós tenhamos todas as filiais fortes e a Eletrobras mais forte ainda".

Ele lembrou que, ao chegar ao governo, as empresas públicas não podiam participar de leilões de energia. Para o presidente, quem agora defende a Chesf "é a direita que não tinha discurso", são as pessoas que trabalharam para destruir o sistema elétrico brasileiro e por isso privatizaram a Celpe (a companhia estadual de eletrificação), "que cobra a energia mais cara do País".

Lula também frisou a importância da engenharia do Brasil em outros países. "Nós vamos fazer uma hidrelétrica na Nicarágua, em vários países africanos", afirmou. "O Brasil precisa aproveitar o conhecimento de engenharia nessa área e virar um senhor da situação. Não é apenas ficar disputando aqui dentro, não".

"Nessa licitação de Belo Monte, eu disse aos empresários: ''Se vocês não quiserem participar, nós vamos fazer sozinhos. Nós vamos provar que não vamos ficar reféns de nenhum empresário. Queremos construir parcerias juntas, mas não ficaremos reféns''", completou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.