Lula defende relações com Irã e lembra que Brasil exporta US$ 1 bi ao país

Presidente também apoia ampliação de comércio e de novo acordo bilateral com o México

Tânia Monteiro, enviada especial,

24 de fevereiro de 2010 | 11h39

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a sua relação com o Irã, em entrevista na noite de terça-feira em Cancún. Lula disse que está sendo muito criticado por se aproximar do Irã, mas que o objetivo é não manter o país isolado. Ele comparou as críticas à época que promoveu reuniões de países do Oriente Médio com a América do Sul. "Houve um escândalo. Disseram que nós estávamos fazendo um encontro contra Israel.", disse ele. "Agora que vou ao Irã está virando um escândalo. Vou ao Irã fazer o que? Vou ao Irã negociar com o Irã, vender coisas do Brasil para o Irã e comprar coisas do Irã para o Brasil", justificou o presidente, que visitará o país em maio.

 

Lula informou que o Irã é um pais com 80 milhões de habitantes, para o qual o Brasil exporta US$ 1 bilhão e não compra nada. "É um país que o Brasil acha que não pode ficar encurralado e isolado. Nós queremos construir a possibilidade de ter a paz no mundo e a paz no mundo não significa isolamento de ninguém", desabafou ele acrescentando que "se queremos paz no mundo não podemos deixar ninguém isolado".

 

O presidente comentou ainda que considerou uma "brincadeira" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a proposta para que ele assuma a liderança do novo bloco. E, mais uma vez, se vangloriando dos seus feitos, disse que o secretário do órgão tem de ser um técnico e não pode ser nenhum dirigente "mais forte que os presidentes dos países". A proposta de Chávez foi feita levando em conta que o mandato de Lula acaba este ano e então, ele assumiria a liderança da comunidade em janeiro de 2011.

 

Presidente também defende ampliação de comércio com o México

 

Em entrevista ao lado presidente do México, Felipe Calderon, depois de participar de reuniões do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe, em Cancún, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a necessidade de ampliação do comércio dos países e um novo acordo bilateral com o governo mexicano. Aproveitou, para atacar "os ingênuos" que dizem que as novas organizações que estão sendo criadas tem por objetivo de deixar apenas os Estados Unidos de fora. Segundo Lula estas iniciativas nasceram porque os países estão funcionando como filhos que adquiriram maturidade e que querem agir sem a proteção da mãe. "Ninguém precisa ficar incomodado por estarmos procurando caminhos para nos organizarmos. Criar fóruns de deliberações entre nós. Estabelecer ajudas mútuas entre nós", disse.

 

Segundo Lula, as pessoas "estão mais ansiosas de se reunirem, pelo mundo afora". E avisou: "Ninguém é ingênuo para criar ruptura com os EUA ou União Europeia, até porque sabemos a importância dos Estados Unidos na relação com todos os países, tanto comercial quanto política. Nós queremos manter esta boa relação. Nós queremos ainda que, mantendo esta boa relação, ter um espaço de discussão entre nós mesmos, falando da nossa realidade e construindo uma nova realidade para nós,para manter espaço". E brincou lembrando que cada país participa de mais de 500 organizações. "Se eu fosse atender todos os 'Gs' que eu participo, não sobraria tempo de governar o Brasil", declarou, provocando risos e palmas dos empresários brasileiros e mexicanos que, pouco antes, participaram de uma reunião com Lula e ouviram dele que não devem ter medo de fazer um acordo bilateral com o Brasil.

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