Lula dirá na FAO que País terá metas de produção de alimentos

Equipe analisarou que a crise dos alimentos vai durar de cinco a dez anos, mas que Brasil estará preparado

Leonencio Nossa, Agência Estado

21 de maio de 2008 | 19h59

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informará, na sede da FAO, na próxima segunda-feira, em Roma, que o governo estabelecerá metas de produção de alimentos para enfrentar a crise do desabastecimento. Em reunião no Palácio do Planalto na manhã de hoje para afinar o discurso que fará na Europa, o presidente e sete ministros avaliaram, a partir de uma série de relatórios, que a crise na área de alimentos vai durar de cinco a dez anos, mas que o Brasil está preparado para compensar parte do déficit produtivo.   No discurso na FAO, Lula ressaltará a diversidade da lavoura brasileira e o fato de que a produção de alimentos no País aumentou nos últimos oito anos, período em que foi registrado déficit de alimentos no mundo. "O papel do Brasil nesse contexto cresce muito", disse, em entrevista à Agência Estado, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, um dos participantes do encontro.   "Na reunião, o governo avaliou a crise de alimentos e os impactos na inflação", completou o ministro. "Há um consenso de que o Brasil está em condições cômodas, com aumento de exportação de alimentos, uma agricultura produtiva e uma agricultura familiar forte."   A equipe econômica e os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário estudam medidas para incrementar o Plano Safra de Agricultura Familiar, que deve anunciar R$ 13 bilhões de crédito em junho. "Há um pensamento homogêneo no governo de que os investimentos em agricultura familiar ampliam a produção de alimentos", disse o ministro Cassel. Ele contou que, na reunião, o presidente chamou a atenção para a produção de alimentos como batata, mandioca e leite, culturas desenvolvidas por pequenos agricultores. Cassel observou que dois terços dos 152 alimentos avaliados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) são produzidos basicamente por pequenos agricultores.   Em Roma, o presidente retomará ainda a defesa dos biocombustíveis, especialmente do etanol. Ele irá dizer que a produção não interfere no plantio de alimentos, sendo possível conciliar a política de uma matriz energética limpa com segurança alimentar.   Participaram da reunião com o presidente Lula os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega, (Fazenda), Reinhold Stephanes (Agricultura), Paulo Bernardo (Planejamento),Franklin Martins (da Secretaria de Comunicação), Henrique Meirelles (presidente do Banco Central) e Guilherme Cassel.

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