Lula volta a questionar demora no socorro à Grécia

Em Portugal, ao término de um giro por 8 países, presidente cobrou mais regulamentação do sistema financeiro dos países ricos

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 18h47

O presidente Luiz Lula encerrou o giro de oito dias por cinco países reclamando de cansaço, mas dizendo que estava feliz pelos resultados obtidos. Lula, em discurso após assinatura de oito acordos com Portugal, na 10ª Cimeira Luso-Brasileira, no Palácio das Necessidades (que é o ministério dos Negócios Exteriores de Portugal), voltou a falar da crise que assola os países da Europa e a questionar a demora no socorro à Grécia.

"Não entendo porque a União Europeia demorou três meses para socorrer a Grécia", declarou o presidente, ao lado do primeiro-ministro português, José Sócrates, depois de cobrar regulamentação mais dura do sistema financeiro dos países ricos. "Por que os países não têm uma regulamentação do sistema financeiro tão dura como no Brasil?", queixou-se o presidente, ao comentar que o Brasil faz parte do G-20 e as "coisas ali são muito lentas, porque não temos uma governança global".

Lula ainda comemorou os investimentos de Portugal no Brasil, lembrando que os portugueses já descobriram o Brasil nessa área e 600 empresas já investiram 20 bilhões de euros. Segundo Lula, agora as empresas brasileiras têm que se expandir para Portugal.

Ainda ao comentar a crise na Europa, o presidente lembrou o ajuste fiscal que teve que fazer em 2003, explicando que essa foi a única maneira que encontrou para conseguir resolver os problemas econômicos do País. "Estamos hoje em situação confortável", disse Lula, ao lembrar que o Brasil vive momentos "mágicos" na sua economia.

O presidente disse ainda que muitos falam da sua sorte. "Dizem que tenho sorte, porque tudo dá certo. Mas eu também trabalho muito", disse, ao comentar que está há oito dias "vendendo o Brasil no exterior". Lula citou ainda o avanço da cooperação entre Portugal e o Brasil e ressaltou o acordo para a produção de biodiesel entre a Petrobras e a empresa portuguesa Galp.

Lula elogiou a desburocratização que existe em Portugal na hora de abrir e fechar empresas e, embora reconhecendo que a situação já melhorou no Brasil, disse que ainda é preciso melhorar mais.

O primeiro-ministro José Sócrates, por sua vez, comemorou a cooperação entre os dois países e elogiou a forma como o Brasil enfrentou a crise. Lula e o primeiro-ministro estão jantando junto com a comitiva brasileira e a previsão é de que o presidente deixe Lisboa por volta das 23h (horário local).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.