Lupi mantém projeção de 3 milhões de vagas formais em 2011

Para o ministro, o emprego será impulsionado este ano principalmente pelos serviços, comércio e construção civil

Célia Froufe, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2011 | 12h28

Apesar da expectativa de crescimento menor do País em 2011 e do corte do orçamento este ano, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mantém a projeção de criação de 3 milhões de empregos com carteira assinada em 2011. No ano passado, foram criados pouco mais de 2,5 milhões de postos. Lupi justificou que os cortes de gastos anunciados pelo governo estão concentrados em custeio, e não em investimentos. "No máximo, 10%, 15% disso é corte de investimentos, que já não eram mais prioritários", afirmou.

Para o ministro, o emprego será impulsionado este ano principalmente pelos serviços, comércio e construção civil - este último setor mostrou pequeno arrefecimento no segundo semestre do ano passado, em função do período eleitoral.

Já a indústria não deverá se apresentar como um grande carro-chefe no mercado de trabalho, mantendo um ritmo de crescimento muito próximo ao verificado em 2010. No ano passado, na série sem ajustes, a indústria foi responsável pela criação de 485.028 vagas com carteira de trabalho assinada. No ano anterior, em função do impacto da crise financeira internacional, o setor gerou 10.865 postos.

Apesar da expectativa positiva do ministro, a criação de vagas formais em janeiro deste ano ficou abaixo da verificada no mesmo mês do ano passado. Para Lupi, no entanto, não se trata de uma desaceleração da criação de empregos. Para ele, o número de 2010 foi fortemente influenciado pela recontratação de funcionários, principalmente pela indústria brasileira, que acabou dispensando seus quadros no auge da turbulência. "Os quadros comparativos são diferentes", avaliou. "Atipicamente, em janeiro de 2010, a indústria bombou mais porque tinha demitido mais com a crise."

Fundo de Amparo ao Trabalhador

Lupi informou que a arrecadação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) registrou um saldo de R$ 28,765 bilhões em 2010. O resultado, segundo ele, é o melhor da história e 18,06% superior ao verificado em 2009, quando foi de R$ 24,365 bilhões, até então o volume mais elevado. Lupi enfatizou apenas, em sua informação, os dados da receita de contribuição com o PIS/Pasep.

No ano passado, o FAT também arrecadou R$ 10,212 bilhões com receitas de remuneração, conforme informou sua assessoria posteriormente. Esse volume ficou 1,27% acima dos R$ 10,084 bilhões registrados em 2009. Com isso, a arrecadação total do FAT passou de R$ 35,026 bilhões em 2009 para R$ 40,924 bilhões no ano passado, um aumento de 16,84%.

No mesmo período de comparação, o patrimônio do FAT registrou um crescimento de 6,50%, passando de R$ 160,273 bilhões para R$ 170,685 bilhões.

Apesar disso, a arrecadação do FAT não foi suficiente para cobrir as despesas no período. O saldo nominal ficou negativo em R$ 409 milhões. Mesmo deficitário, o resultado é melhor do que em 2009, quando ficou negativo em R$ 2,338 bilhões. Isso porque o total de despesas (incluindo seguro desemprego e abono salarial) cresceu 7,24% de 2009 para 2010, passando de R$ 27,738 bilhões para R$ 29,747 bilhões.

Os empréstimos ao BNDES ampliaram-se em 20,36% de 2009 para 2010, passando de R$ 9,626 bilhões para R$ 11,585 bilhões.

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