Amanda Rocha/Estadão
Amanda Rocha/Estadão

Lupo planeja dobrar de porte e chegar a R$ 3 bi de faturamento até 2024

Fabricante de roupas prepara abertura de nova fábrica e aposta em artigos esportivos para acelerar ritmo de negócios

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2021 | 05h00

Com 100 anos recém-completados, a fabricante de roupas Lupo, focada em moda íntima, esportiva e meias, era mais uma das empresas na fila para realizar a sua oferta pública de ações na B3. Porém, com o mau momento do mercado, decidiu dar um passo atrás e esperar uma nova oportunidade para estrear na Bolsa de Valores. Mesmo assim, a presidente da Lupo, Liliana Aufiero, afirma que os planos continuam: a empresa quer dobrar de tamanho nos próximos três anos, com ou sem o dinheiro do IPO.

A companhia deve encerrar 2021 com faturamento de R$ 1,5 bilhão, segundo Liliana. Isso vai representar crescimento de 43% em comparação com os resultados registrados em 2019 – antes da pandemia. Assim, até 2024 a Lupo pretende ser uma empresa de R$ 3 bilhões em vendas e, para isso, vem fazendo investimentos para aumentar a sua capacidade de produção.

O principal deles ocorreu neste mês, quando a empresa anunciou que está comprando uma nova fábrica no Nordeste – mais especificamente, no Estado do Ceará. O espaço era de propriedade da Marisol, dona das marcas de roupas infantis Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre. Por ora, Liliana compara o espaço a uma “vasilha vazia”, já que a Lupo está em busca de todo o maquinário para equipar a fábrica, e poucas ferramentas da atual instalação serão utilizadas. 

Para o ano que vem, Liliana espera que a fábrica já esteja funcionando a todo vapor. Por ora, são 80 funcionários sendo treinados para começarem a trabalhar logo no início do ano. A meta é alcançar os 1,2 mil empregados ainda em 2022. Entre os motivos da expansão para o Nordeste, segundo Liliana, está a média salarial menor do que em outras regiões do País, o que trará uma maior competitividade para a empresa realizar a sua expansão.

Enquanto isso, a companhia também está querendo acelerar a expansão das suas lojas no ano que vem. O negócio é totalmente baseado em franquias: são 807 unidades espalhadas pelo País. Para o ano que vem, a ideia é chegar a 975, mas Liliana afirma que ficaria muito satisfeita se batesse a marca psicológica de mil lojas até dezembro. 

O que deve ajudar nessa aceleração é a marca voltada para artigos esportivos, a Lupo Sport. A companhia estreou nesse segmento em 2010, mas agora quer aproveitar que as pessoas estão voltando aos exercícios com o arrefecimento da pandemia. Em 2022, a ideia é saltar de 17 para 57 lojas exclusivas. Desta maneira, a Lupo quer compensar o faturamento conseguido até agora com a venda de máscaras, que deve ter uma redução nos próximos meses, mas que encerrou o ano com vendas de cerca de R$ 200 milhões. 

“São 300 máquinas que ficaram exclusivas para máscaras, mas que podem ser facilmente transformadas em equipamentos para os materiais esportivos”, diz a executiva.

Oferta Pública 

Mesmo com planos ambiciosos, a presidente da Lupo afirma que a companhia possui dinheiro suficiente para fazer a expansão, independentemente de o mercado abrir uma janela para a estreia da companhia na Bolsa. Segundo ela, a ideia de partir para o mercado de capitais não tinha apenas o foco de captação, mas também de consolidar a governança corporativa da empresa.

Para Eduardo Tomiya, presidente da TM20 Branding, o maior acerto da Lupo foi entender que não fazia apenas meias e cuecas. “A Lupo passou de uma marca de meias para uma marca de moda, que olhou a necessidade dos seus consumidores e ampliou o seu portfólio mantendo a tradição, mas com a pegada inovadora”, diz ele. 

Empresa organiza sucessão de comando

Apesar do controle familiar, não é mais permitido que integrantes da família Lupo ocupem cargos na empresa. A esperada entrada na Bolsa, segundo a presidente, Liliana Aufiero (neta do fundador), ajudará a fortalecer ainda mais esse processo. A executiva está no comando da companhia há 30 anos. 

“O IPO servirá para que a companhia possa funcionar com os ritos de uma empresa aberta”, diz ela, que já começa a preparar a passagem de bastão para o atual diretor superintendente, Carlos Alberto Mazzeu. Porém, aos 76 anos, ela não tem data para a aposentadoria.

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