Luta contra a inflação testa apetite dos investidores pelo Brasil, diz ‘FT’

Para jornal britânico, maioria dos investidores deve continuar evitando ações de companhias brasileiras até saber se as medidas do governo darão resultado

BBC Brasil,

28 de abril de 2011 | 09h12

A maioria dos investidores internacionais deve continuar evitando comprar ações de companhias brasileiras até saber se as medidas do governo para tentar controlar a inflação darão resultado, segundo afirma reportagem publicada nesta quinta-feira, 28, pelo diário econômico britânico Financial Times.

O diário observa que o índice Bovespa, da bolsa de valores de São Paulo, chegou no ano passado próximo ao seu recorde histórico de alta pré-crise de 2008, mas desde o início deste janeiro já caiu mais de 7% por conta dos temores dos investidores sobre a inflação em alta e a valorização excessiva do real.

A reportagem comenta que o índice anual de inflação neste mês deve se aproximar do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5% com uma margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.

"O problema para os investidores em ações é que quanto mais tempo a ameaça de uma inflação mais acelerada pairar sobre o Brasil, mais o índice Bovespa permanecerá numa terra de ninguém, apesar de uma economia forte que deve crescer 4,5% neste ano", afirma o jornal.

Para o FT, o mercado brasileiro de ações vem sofrendo com as dúvidas sobre os esforços do governo "em lidar com os efeitos do excesso de gastos na preparação para a eleição presidencial de 2010".

Juros altos

A reportagem observa que os desembolsos do BNDES ajudaram a economia brasileira a crescer 7,5% no ano passado, o índice mais alto em mais de duas décadas, mas também contribuiu para o aumento da inflação.

Ao mesmo tempo, diz o jornal, as altas taxas de juros vêm atraindo capital estrangeiro de economias desenvolvidas com baixo crescimento, fortalecendo a moeda brasileira em relação ao dólar e gerando o temor da perda de competitividade da indústria nacional.

"Temendo que taxas de juros ainda mas altas somente fortaleçam mais a moeda, o governo recorreu a medidas não convencionais para tentar conter a inflação, como taxas sobre o crédito ao consumidor", relata o FT.

Segundo o jornal, esta abordagem "suave" levou a dúvidas entre os investidores sobre a determinação do governo em combater a inflação.

Para a reportagem, o futuro do mercado de ações brasileiro vai depender de como a presidente Dilma Rousseff e sua equipe econômica lidem com o problema da inflação.

"Eles precisam combinar a retórica dura com ações confiáveis ou os investidores estrangeiros continuarão a evitar a Bovespa", conclui o jornal.

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