M. Dias Branco quer, agora, conquistar o mundo

O português Manuel Dias Branco abriu a Padaria Imperial em 1936, em Fortaleza (CE), empresa que deu origem à fabricante de massas e biscoitos M. Dias Branco. Seu filho Francisco Ivens Dias Branco virou sócio em 1951 e transformou a padaria em uma indústria líder de mercado no Brasil. O próximo a pegar o bastão será Francisco Ivens Dias Branco Júnior, de 53 anos, que assumirá a presidência da companhia em maio de 2014. Ao ocupar o lugar do pai, ele já tem um desafio: fazer da empresa cearense uma multinacional.

MARINA GAZZONI E LAURIBERTO BRAGA, Agencia Estado

02 de setembro de 2013 | 08h30

?Vejo a exportação como uma grande oportunidade para nós?, explica Ivens Jr. As vendas no exterior são a primeira etapa de um projeto de internacionalização da M. Dias Branco. O segundo passo é a abertura de fábricas em outros países. ?Se os produtos forem bem aceitos, vamos iniciar a produção local com fábricas novas ou com aquisições.?

A M. Dias Branco é dona de 17 marcas, como Adria, Richester, Isabela e Vitarella, produzidas em 14 fábricas no Brasil. A empresa já exporta margarina para Cabo Verde e massas da marca Adria para a Argentina, mas o volume é irrisório. As vendas externas representam entre 2% e 3% da receita da empresa, que somou R$ 3,5 bilhões em 2012.

Ivens Jr. já começou a se mexer para incrementar esse número. A empresa mapeou os mercados-alvo no exterior, as marcas e produtos que pode lançar por lá e eventuais adaptações de sabor para atender gostos locais. A M. Dias Branco tem interesse em avançar na América do Sul, especialmente no Chile, no Peru e na Colômbia. O outro alvo é a África - há estudos de mercado para entrar em Gana, África do Sul, Etiópia, Angola, Moçambique e Quênia.

O executivo diz que a exportação não é oportunismo para aproveitar a recente alta do dólar. É uma estratégia para ganhar posição em mercados menos maduros que o Brasil, que tendem a repetir a explosão do consumo vivida pelo País na última década. ?Em 20 anos, a África terá 25% da população mundial e será um grande consumidor de alimentos. Temos de nos mexer agora.?

Sucessão

Ivens Jr. começou a trabalhar na M. Dias Branco aos 16 anos, em 1976. Sua função era organizar a transferência da fábrica do centro de Fortaleza para uma unidade nova na região metropolitana da cidade.

Em 1981, Ivens Jr. se tornou gerente industrial e, desde então, ocupou vários cargos na empresa. Começou a faculdade de Administração, mas não concluiu o curso. ?Vim do chão de fábrica. Aprendi tudo na empresa e na universidade da vida?, diz. Em 2006, foi nomeado vice-presidente industrial, cargo que ocupará até se tornar presidente da companhia.

A sucessão do comando na empresa foi anunciada em 29 de julho e será gradativa. O atual presidente, Ivens Dias Branco, ainda vai ao escritório pela manhã, mas, aos poucos, deixa o dia a dia da operação e se concentra no papel de presidente do conselho. Ele continuará à frente dos negócios de infraestrutura da família, que administra um porto em Aratu (BA) e é dona de uma fábrica de cimento.

Dias Branco entregará ao filho uma empresa de capital aberto que vale hoje R$ 10,3 bilhões, segundo a consultoria Economática. A M. Dias Branco se transformou em uma gigante com a abertura de diversas fábricas, moinhos próprios e uma série de aquisições de marcas concorrentes, como a Adria.

A companhia investiu em moinhos de trigo e em uma unidade para produzir gordura e margarina, seus principais insumos. Foi uma aposta em uma produção verticalizada, um sistema que vem sendo abandonado pelas outras indústrias.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Claudio Zanão, sai mais barato para a maioria das indústrias terceirizar a produção de farinha. Só vale a pena para quem tem escala e a operação enxuta. ?O mercado de massas é de margens baixas. É uma conta de padeiro. É no detalhe que se ganha dinheiro?, diz.

No caso da M. Dias Branco, a verticalização é vista com bons olhos pelo mercado financeiro. ?Com moinhos próprios, a empresa é menos afetada por flutuações de mercado?, disse o gerente da equipe de analistas do BB Investimentos, Nataniel Cezimbra. O plano de ser autossuficiente na produção de trigo em três anos é, a seu ver, uma das razões para a valorização de 16,72% da ação da M. Dias Branco neste ano -no período, o Ibovespa caiu 17,95%.

Outra vantagem da empresa é ter marcas mais baratas no portfólio. Num momento em que a economia cresce menos, a população tende a optar por produtos mais baratos. No segmento de macarrão, isso já é uma realidade: a fatia das marcas de menor preço saltou de 21% das vendas para 32% entre 2011 e 2012 no País, segundo a consultoria Kantar. Nesse período, a M. Dias Branco ganhou participação de mercado.

Apostas

Como já é líder em biscoitos e em macarrão, a empresa quer avançar em novas categorias. Ivens Jr. vê oportunidades de lançar uma linha saudável, como barras de cereais. Neste ano, há 100 novos produtos em desenvolvimento na área de pesquisas da empresa. ?Acho mais interessante o plano de diversificar a linha do que internacionalizar a empresa?, diz Cezimbra, do BB. No Brasil, a estrutura de distribuição está pronta e as marcas já são conhecidas.

Ivens Jr. garante que a empresa tem condições de crescer no mercado interno e lá fora. Embora só assuma o cargo oficialmente em maio do ano que vem, ele já está tocando os projetos. O pai, Dias Branco, está no exterior nesta semana - de férias, na companhia dos netos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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