Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Com baixa no consumo e alta da inflação, Magalu aposta em cartão PJ e empréstimo pessoal

Os novos produtos da varejista foram criados com a empresa Hubfintech, adquirida no ano passado, e com o Itaú, que assumirá risco do crédito pessoal

Lucas Agrela e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2022 | 13h01

O Magazine Luiza anunciou nesta quinta-feira, 12, a entrada nos segmentos de cartão de crédito para empresas e empréstimo pessoal. As novidades chegam em meio a um contexto econômico que afeta as varejistas brasileiras, devido à alta da taxa de juros, que aumenta custo de crédito, e da inflação, que aumenta preços de produtos. O cenário derrubou o preço das ações da companhia na B3. Só em 2022, a queda é de mais de 60%.

O cartão de crédito para pessoa jurídica do Magalu é desdobramento da aquisição da empresa Hubfintech, que ficará responsável tanto pela emissão quanto pela captação de crédito, vindo de um fundo de investimentos da companhia. De acordo com o diretor da divisão de tecnologia financeira Fintech Magalu, Robson Dantas, o cartão de crédito para empresas foi criado com base nos dados que a companhia já tem de seus lojistas virtuais. Com isso, é possível estabelecer notas de crédito (score) a eles. Sendo assim, o cartão será restrito a essas empresas que já têm relacionamento com a plataforma de marketplace da varejista.

O empréstimo pessoal será oferecido por meio da Luizacred - joint venture entre o Magazine Luiza e o Itaú que existe há 20 anos. Nesse caso, o risco de crédito não fica no Magalu. Esse produto deve oferecer taxa de juros entre 4% e 5% ao mês, de forma personalizada e seguindo a política de concessão de crédito do Itaú. O diretor Financeiro do Magazine Luiza, Roberto Bellissimo, disse que o banco tem uma política “conservadora”, que sempre manteve os níveis de inadimplência da Luizacred controlados.

Questionado sobre o contexto atual de juros altos e como isso influencia as novas operações, Dantas afirmou que a concessão de crédito deve ser ajustada à medida que o ambiente econômico se movimenta, sempre baseado em dados.

Na última divulgação de resultados, o Magazine Luiza reconheceu que teve dificuldade de lidar com a inflação. Segundo o presidente da empresa, Frederico Trajano, o Brasil vira um país de poucos por causa da redução do poder de compra da população de baixa renda, o que é "ruim para a economia e ruim para o Magazine Luiza".

Iniciador de Pagamentos

Além dos produtos de crédito, o Magazine Luiza anunciou que recebeu licença para se tornar uma iniciadora de pagamentos e que deve começar a exercer esse direito por meio do comércio eletrônico Kabum, uma das aquisições da varejista no ano passado. Dantas explica que essa possibilidade deve melhorar a experiência de compra via Pix, já que o cliente não terá de entrar no aplicativo do banco e copiar e colar o código para o pagamento.

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